Sexta-feira, 5 de Julho de 2013

Rei morto, rei posto

 

 

Pedro Passos Coelho e Paulo Portas têm ainda muito para explicar aos portugueses sobre o caos político dos últimos dias, da sua total (i)responsabilidade, que mergulhou o país no precipício das eleições antecipadas e do segundo resgate. Mas serviu para alguma coisa: Maria Luís Albuquerque ainda não fez nada, mas recebeu o elogio de Mário Draghi e o apoio de Wolfgang Schauble. Rei morto, rei posto.

No meio desta confusão em que está esta espécie de Governo - e sem se perceber exactamente o que aí vem, mesmo com um acordo de coligação - o papel de Maria Luís Albuquerque será absolutamente decisivo nos próximos meses. A começar já na próxima semana com a visita da 'troika' e, depois, na elaboração do Orçamento do Estado para o próximo ano.

Não há memória de um ministro das Finanças assumir funções tão fragilizado como está (ainda) Maria Luís Albuquerque. Por causa dos 'swap' e por causa de Paulo Portas. Ainda por cima num contexto económico e financeiro tão difícil, mesmo sem esta crise política totalmente desnecessária.

O Governo, a acreditar nas declarações de última hora e apesar das dúvidas de Cavaco Silva, que está também a assumir a paternidade da nova 'fórmula' de Passos Coelho e de Paulo Portas, vai continuar ligado à máquina. Mas precisa de alguém que mantenha a ficha ligada, e essa pessoa só poderá ser Maria Luís Albuquerque.

Neste contexto que o país está a viver, não deixa de ser significativo que os primeiros elogios e apoios públicos tenham vindo precisamente de líderes europeus, e não de responsáveis políticos em Portugal. Cavaco, aliás, conseguiu lavar as mãos da responsabilidade desta nomeação, remetendo-a totalmente para o primeiro-ministro.

A 'troika' e a Alemanha não querem uma crise na zona euro e não querem pagar um segundo resgate a Portugal, por isso, farão na Europa o que Cavaco Silva está a fazer em Portugal; farão tudo o que for possível para evitar eleições antecipadas em Portugal, incluindo o elogio a Maria Luís Albuquerque.

Não está em causa a competência técnica de Maria Luís Albuquerque - que ninguém alguma vez pôs em causa - mas a sua força política, particularmente para garantir a execução orçamental deste ano, a elaboração do Orçamento de 2014 e o início da negociação do programa cautelar, que tem de começar no primeiro trimestre do próximo ano. Que começa agora a ser garantida de fora para dentro, como já tinha sucedido com Vítor Gaspar. A política é, por isso, para continuar.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 07:45
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