Sexta-feira, 26 de Julho de 2013

Uma trapalhada 'swap'

Maria Luís Albuquerque meteu-se numa trapalhada política absolutamente desnecessária por causa dos contratos 'swap', embrulhou-se em explicações, conseguiu ser desmentida por cinco pessoas no último mês, entre as quais Teixeira dos Santos, e começa um novo ciclo político a olhar para o espelho retrovisor.
A relação da nova ministra das Finanças com os casos dos contratos 'swap' tem, do que se sabe publicamente, duas dimensões. A primeira diz respeito ao seu papel como directora financeira da Refer, empresa que também assinou contratos de cobertura de risco, e a segunda tem uma dimensão política, e refere-se à gestão deste dossiê desde que assumiu funções governamentais.
A análise do IGCP e da consultora StormHarbour iliba Maria Luís Albuquerque da assinatura de contratos especulativos ou, dito de outra forma, de contratos que extravasam as condições de normalidade e conservadorismo que devem ser seguidas nas empresas públicas. O relatório - pedido por um instituto que, já agora, era tutelado por Maria Luís Albuquerque - sugere a realização de contratos complexos, mas dentro da legalidade.
Se este ponto não foi contestado por ninguém, nomeadamente pelos bancos que estiverem em processos de negociação com as Finanças, Maria Luís Albuquerque decidiu fazer política partidária no momento errado. Mas está visto que a ministra das Finanças vai ter de fazer um curso intensivo de ciência, e prática, política para se meter nestas andanças.
Este Governo demorou quase dois anos a fechar um processo negocial com os bancos envolvidos nos 'swap', um tempo que custa a perceber, mesmo tendo em conta a complexidade do tema, tanto mais que as perdas associadas a estes contratos aumentavam a cada dia que passava. Há uma explicação benigna, que nenhum membro do Governo pode assumir: alguns dos bancos envolvidos nestas operações são os mesmos que estão também a trabalhar com o Governo em operações diversas, e até no regresso aos mercados.
Ainda assim, talvez pelo tempo passado, a ministra decidiu sugerir, perante a opinião pública, que o Governo anterior não lhe transmitiu informação sobre este dossiê na transição de pastas. Percebe-se a intenção, mas saiu-lhe mal e agora tenta escapar à polémica com o recurso a semântica.
É hoje evidente que Maria Luís Albuquerque recebeu da anterior equipa das Finanças - incluindo o director-geral do Tesouro à data da entrada em funções do novo Governo - a informação necessária para avaliar a gravidade do problema. Dentro da pasta ou fora da pasta. Não seria a informação suficiente para resolver - leia-se renegociar - os contratos nos primeiros seis meses de Governo, mas a indispensável para pôr o processo a andar com celeridade. Desde então, as perdas potenciais, a valores de mercado, passaram de cerca de 1,5 mil milhões para três mil milhões de euros. Mais, toda a informação disponível hoje - isto é, os 'emails' que ontem foram revelados - permite dizer, sem margem de erro, que Albuquerque sabia os riscos associados a estes contratos desde os primeiros dias.
Ora, quando Maria Luís Albuquerque invoca a sua palavra, pondo em causa a palavra de terceiros, sobre o acesso a informação nas reuniões com o seu antecessor, põe a discussão no patamar errado, nas questões de carácter e morais, que não eram chamadas para este assunto.
Maria Luís Albuquerque conseguiu, com este processo, o feito de fazer esquecer a substância do problema que vem do anterior Governo - os próprios contratos, a sua estrutura e nível de risco, a responsabilidade material e política que lhes estão associados e o impacto para as contas públicas - e limitou à partida as suas condições políticas para executar a política financeira. Sem necessidade, e veremos a que custo.
publicado por concorrenciaperfeita às 07:16
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds