Terça-feira, 3 de Setembro de 2013

Não é defeito, é feitio

 

A governação e a nova equipa de gestão da Zon Optimus revelam o que vai ser o difícil equilíbrio de poderes entre os dois accionistas de referência do novo gigante de telecomunicações - Paulo Azevedo e Isabel dos Santos - mas também a cultura de gestão empresarial em Portugal, avessa aos gestores verdadeiramente independentes dos accionistas.

A Zon Optimus é uma empresa que 'já o era antes de o ser', isto é, as duas companhias estavam condenadas a entender-se, mas faltava na operadora de cabo o que sobrava na operadora móvel, um accionista de referência que mandasse, sem conflitos de interesse com outras operadoras. O BES era esse accionista, mas a aposta foi, sempre, outra, a PT. Até à chegada de Isabel dos Santos, que, no espaço de dois anos, construiu uma posição de liderança, por falta de concorrência interna (leia-se de dinheiro). A partir desse momento, era uma questão de tempo, ou melhor, foi. E ainda bem para a concorrência neste sector.

O equilíbrio de poderes entre Paulo Azevedo e Isabel dos Santos vai ser, no mínimo, difícil. E a escolha da equipa de gestão é a prova disso.

A administração da nova empresa, que vai a votos no dia 1 de Outubro, é um equilíbrio de filigrana entre dois accionistas que querem mesmo mandar, ao ponto de terem mudado a governação para acabarem com a comissão de auditoria, integrada na administração, e passarem a ter um conselho fiscal, sem assento nesse órgão. Mas que desconfiam. Um do outro.

Miguel Almeida é, reconhecidamente, um gestor competente, e aí está o desempenho da Optimus para o provar, por isso a sua escolha para a presidência da nova empresa estranha-se, mas, depois, entranha-se. Mas o caminho que o levou até essa função, substituindo Rodrigo Costa, e as negociações de bastidores desta operação acabam por ser a vitória de uma cultura empresarial, muito própria em Portugal, que, entre competentes e incompetentes, prefere os de confiança. Não é defeito, é feitio.

A empresária angolana não sai a perder, garante o presidente do conselho de administração, o 'seu' advogado Jorge Brito Pereira, e quatro dos sete membros da comissão executiva. E mantém, ainda, Joaquim Oliveira, a quem compra os direitos do futebol para Angola, e um adversário da Sonae, o grupo Espírito Santo, como administradores não-executivos. Caberá, claro, a Miguel Almeida ganhar a confiança de Isabel dos Santos.

Quem ficou de fora, neste jogo de cadeiras? Rodrigo Costa, que trabalha pelo menos há cinco anos para esta operação. Por incompetência? Não. Por independência face aos accionistas, por tratá-los, a todos, por igual. Num País de patrões e de empresas controladas por poucos accionistas, esta não é uma virtude. Ainda. E mal. É uma ironia, e uma injustiça, mas ninguém disse que a vida era justa.

 

PS: Nuno Amado fechou mais um ciclo à frente do Millennium bcp sem necessidade de utilizar a sua 'bala de prata', verdadeiramente a única que tem. Depois de meses de negociações com a Direcção Geral da Concorrência europeia, que furaram todos os prazos, a administração do BCP conseguiu evitar a obrigação de vender a operação que tem na Polónia, o melhor activo do banco, muito cobiçado até por alemães, mas não pelo preço que Amado deseja. Há um senão, muito exigente: o BCP terá de devolver ao Estado pelo menos 2,3 mil milhões de euros do empréstimo, sob a forma de CoCo's, até 2016.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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