Quarta-feira, 4 de Setembro de 2013

País precisa de bancos que ganhem dinheiro

 

 

O calvário das negociações dos bancos portugueses que receberam 7,25 mil milhões de euros de ajudas de Estado com a direcção-geral da Concorrência Europeia terminou melhor do que começou, há cerca de um ano, quando se temia uma razia que ameaçava mesmo a sua viabilidade futura.

A 'troika' já tinha chegado à banca, quando aceitou criar uma linha de capitalização para a banca de 12 mil milhões de euros, quando impôs novos rácios de capital, quando impôs um calendário de auditorias e passou a pente fino a política de crédito às empresas. Mas a necessidade de alguns dos maiores bancos - a CGD, o BCP, o BPI e o Banif - de recorrerem a empréstimos, a juros elevados, diga-se, para cumprirem as exigências dos nossos credores obrigou-os a abrirem ainda mais a porta. Porque passaram a ter de partilhar as decisões de gestão estratégica, mais, ficaram obrigados a cumprir um plano de ajustamento.

O nível de intromissão da polícia da concorrência na banca nacional é excessivo, porque compromete os bancos a decisões até 2017 quando muitas regras europeias podem, e vão, ainda mudar, e não é inocente, tendo em conta os interesses que se jogam particularmente na banca dos principais países do euro. Mas acabou por ser menos agressivo, e não foi por puras razões de 'solidariedade'. Qualquer outro caminho ameaçava, claro, a capacidade dos bancos de pagarem estes empréstimos à 'troika'.

Cada caso, dos quatro, é um caso, o seu perfil de crescimento ao longo dos últimos 15 ou 20 anos, a herança, explica muito do que está agora a suceder e alguns têm os processos de ajustamento mais avançados do que outros, mas há linhas bissectrizes que podem ser traçadas. A mais importante das quais é que os bancos - estes e os que não receberam ajudas de Estado - são mais sólidos hoje do que eram há dois anos, estão mais bem preparados para as crises. Nenhum está imune a uma crise, nem aqui nem na Alemanha, mas o fôlego de capital e de liquidez saiu reforçado.

Em primeiro lugar, acabou-se a ideia, meio ingénua, meio irresponsável, de que a internacionalização é, em si mesmo, uma garantia de sucesso. Os bancos portugueses vão reduzir as suas operações internacionais que, basicamente, trouxeram mais problemas do que soluções. Os bancos portugueses não se limitaram a emprestar demais, a quem não tinha capacidade, nem modelo de negócio, nem 'management', seguiram, eles próprios, a mesma receita e arriscaram capital que tinham e o que não tinham.

Já no mercado doméstico, as coisas vão mudar menos do que se temia. O ajustamento na política de concessão de crédito já era mais exigente, também por causa da situação económica do País, da necessidade de redução do crédito hipotecário e de maior selectividade no crédito às empresas. Os bancos vão ser obrigados, no fundo, a concentrarem-se no seu 'core' em Portugal, a concentrarem-se no fundamental de uma actividade de um banco, isto é, captar depósitos e emprestar a quem precisa. E precisam de fazê-lo, porque esse é o seu negócio, assim é que ganham dinheiro. E a economia portugueses precisa de bancos que façam dinheiro.

 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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