Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013

Onde estão os compradores, senhor Draghi?

 

Mário Draghi 'descobriu' uma fórmula de sucesso para Portugal reduzir a dívida pública, um caminho que, no entender do presidente do BCE, deve ser reforçado: o Governo deve acelerar o processo de privatizações. Mas Draghi esqueceu-se de dizer quem é que está assim tão interessado em comprar activos em Portugal.

A receita do presidente do BCE é óbvia, e o Governo, este e um outro qualquer, mesmo com António José Seguro, não o desdenharia. A venda de activos e, particularmente, as operações de privatização são o modelo mais fácil de um Estado realizar capital e, no caso destas operações, de reduzir a dívida pública de um País. O problema é que é necessário, primeiro, ter empresas para vender e, depois, é fundamental que existam terceiros disponíveis a pagar um preço justo por essas empresas.

Se há matéria em que o Governo esteve bem foi o das privatizações, nas que realizou e na que acabou por não fazer. Mas a verdade é que não há assim tantos activos interessantes ou que suscitem ofertas tão interessantes. Veja-se o caso da TAP e, desconfio, vai ver-se no caso dos CTT ou, por exemplo, na decisão do Governo de adiar a venda da CP Carga.

O Governo foi cumprindo o memorando de entendimento assinado com a 'troika' em matéria de privatizações quando estava em causa a EDP, a REN  ou a ANA, por razões óbvias. São 'cash-cows' com receitas garantidas, por isso mesmo apareceram vários compradores. Mas a história já não foi a mesma quando o Governo decidiu vender a TAP e só apareceu, na fase final de negociação, um comprador que acabou por não apresentar as garantias bancárias exigidas.

Um Governo decide avançar com operações de privatização por duas ordens de razões: ideológicas ou financeiras. No caso de Pedro Passos Coelho, as razões são cumulativas e, por isso, se as privatizações não avançaram num ritmo mais acelerado a única razão é mesmo a de mercado. Não apareceram os candidatos que se suponha, e que, pelos vistos, Mário Draghi conhece, mas não revela.

O próximo teste vai ser mesmo o dos CTT, porque, segundo se percebe, a TAP vai ficar para as calendas. Os correios são, inquestionavelmente, um bom negócio interno, são uma empresa em plena transformação, mas ainda muito pouco internacionalizada, e num sector que está a sofrer, como outros, os efeitos de uma economia cada mais online. Já ninguém manda cartas pelos correios.

Não há razão nenhuma para os CTT continuarem na esfera do Estado. É necessário, claro, garantir que os CTT privados cumprem o contrato de serviço postal universal decorrente do contrato de concessão que lhe está confiado. Mas, garantido isso, um qualquer privado pode ser o seu dono, desde logo porque o Estado, como accionista, não tem a disponibilidade para financiar o crescimento da empresa nos mercados internacionais, um caminho indispensável.

Dito isto, o Governo não pode vender os CTT por 'tuta e meia', sob pena garantir uma receita que abate agora à dívida pública ao mesmo tempo que se desfaz de um negócio que faz parte daquele lote de empresas que se confunde com o País.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds