Segunda-feira, 30 de Setembro de 2013

Portugal volta ao pântano, mais perto do 2º resgate

 

 

As eleições autárquicas de 29 de Setembro de 2013 ficam na história, como não se suspeitava há uns meses, como uma espécie de legislativas antecipadas. E, realizadas no momento em que foram, e com os resultados que foram registados, Portugal está a partir de hoje mais dividido e está, assim, mais perto do segundo resgate.

As eleições foram municipais, os portugueses foram chamados a escolher presidentes de câmara e de junta, mas há, claro, leituras nacionais a fazer destes resultados. Do ponto do vista da governabilidade, da solidez da coligação e da própria capacidade política da oposição. E em qualquer destes pontos, o Governo está muito pior hoje do que estava na sexta-feira. Pedro Passos Coelho terá uma oposição mais radical, como se percebeu, primeiro, pelo discurso do líder do PCP, um dos vitoriosos da noite, e de António José Seguro, depois.

Portugal, é bom recordar, está no meio da oitava e nona avaliações da 'troika', que deverá terminar no final desta semana. E o Governo tem de apresentar até ao próximo dia 15 de Outubro a proposta de Orçamento do Estado que está a ser negociada com a 'troika'. E, neste sentido, o mínimo que se pode dizer é que o Governo terá mais dificuldade em fechar esta negociação. Se queria algum tipo de flexibilização para a redução do défice, este objectivo será ainda mais difícil de conseguir agora, com um país literalmente dividido entre um governo de coligação que quer cumprir o acordo com a 'troika', mas tem, ele próprio, entendimentos diferentes sobre o modo de o fazer, um PS que só pede o fim da austeridade e uma CDU que quer os credores internacionais fora do País.

O resultado das autárquicas foi um cartão vermelho ao Governo, mesmo que Passos Coelho não queira retirar consequências políticas imediatas, e mesmo que o CDS reclame um crescimento de presidências de câmara. As consequências estão aí, regressamos a 2001, ao pedido de demissão do então primeiro-ministro, António Guterres, sem pedido de demissão de Passos Coelho. E se a vitória de António José Seguro não é mais expressiva, o que poderia ser um sinal menos mau para o Governo, o facto de a CDU renascer corresponde na prática ao desejo de uma contestação social nas ruas, à intervenção musculada da CGTP. Dito de outra forma, a uma maior agressividade contra o Governo e a 'troika'.

Portugal está, hoje, no centro do furacão do euro - e por estes dias a crise política italiana serve para disfarçar o que por cá se passa - está mais perto do segundo resgate, tendo em conta a desconfiança dos mercados e dos investidores, como se vê pelo nível dos juros. E o Governo debate-se, com dificuldade, para cumprir o acordo com os credores, o programa de ajustamento que termina em Junho do próximo ano. É neste contexto que os resultados não são clarificadores, são um caminho para o abismo, é neste contexto que as tensões políticas dentro do Governo voltarão em força com a perspectiva de segundo resgate e da consequente necessidade de marcar eleições antecipadas.

Depois destas eleições, o Governo não caiu, Pedro Passos Coelho não pediu a demissão, mas a pré-campanha para as próximas legislativas já começou. No meio do pântano.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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