Quinta-feira, 3 de Outubro de 2013

Oi, PT!

 

A fusão entre a PT e a Oi só peca por tardia, é uma operação absolutamente crítica não só para as duas companhias e para os respectivos accionistas, todos, não apenas os de referência, como para o País. E a melhor forma de desmontar as críticas que se fizeram nas primeiras horas, depois de conhecida a operação, é desenhar o que seria o plano B, um cenário sem fusão, e com muita confusão.

Em primeiro lugar, uma declaração de interesse: a Ongoing, accionista de referência da PT, é o dona do Diário Económico, e vai ter dois membros na administração da nova empresa. Legitimamente, porque tem 10% da PT.

A PT detém 23,5% do capital da brasileira Oi desde 2010, na sequência da venda da Vivo aos espanhóis da Telefónica, enquanto a operadora brasileira tem 10% das acções da empresa com sede em Lisboa. Foi o melhor que se conseguiu arranjar, face aos bolsos curtos da empresa portuguesa e dos seus accionistas, face às oportunidades que existiam.

Havia um objectivo maior, o de manter um pé, ou pelo menos uma mão, no mercado brasileiro, sem o qual a PT seria reduzida à expressão de empresa doméstica.

Cedo se percebeu que a Oi tinha problemas estruturais, de gestão e de capital, que obrigariam Zeinal Bava a dedicar-se a 100% a uma participada que era uma oportunidade, mas também um enorme risco. Tão grande que, há uns meses, Bava foi 'deslocado' para salvar cacos, antes que fosse tarde demais. Com uma solução 'sui generis', para não dizer mais. O presidente executivo da Oi é, ao mesmo tempo, presidente da PT Portugal, a empresa subsidiária da PT que tem a responsabilidade pela gestão operacional, e que responde a outro presidente executivo, Henrique Granadeiro. Confusos? Isso vai acabar. Zeinal é CEO, Granadeiro é vice-chairman.

A Oi precisa de capital para equilibrar um balanço demasiado alavancado e para investir, e precisa de 'know how'. A PT precisa de escala, precisa de mercado. E, portanto, uma empresa precisa da outra.

A alternativa, o Plano B, seria a Oi seguir o seu caminho sozinha, forçar um aumento de capital 'brasileiro' e 'comprar' 'know how', com outra aliança. Não seria possível à PT acompanhar esse aumento de capital, nem aos seus accionistas. A PT veria a sua posição accionista diluída, sem relevância. Acabaria por sair do Brasil.

Ora, seria esta PT capaz de investir assim tanto em Portugal? Será, assim, tão importante Portugal manter a sede de uma pequena PT em Lisboa - do género 'pequena, mas é nossa' - ou será mais relevante envolver a PT numa fusão internacional, com a sede em São Paulo. O que é, afinal, melhor para o País? A internacionalização das empresas portuguesas ou um caminho de 'albanização' da nossa economia, com o velho e gasto discurso dos centros de decisão nacional? Será que há ainda alguém que acredite nisto ou está, simplesmente, a revelar um ressabiamento mal-disfarçado, um provincianismo saloio?

Existem riscos neste negócio, até de litigância de pequenos accionistas brasileiros, mas existe um risco maior, o de nada ser feito. A PT e os seus accionistas vão participar num processo de fusão, não vão vender uma empresa nacional, por exemplo como sucedeu na Cimpor, vão manter poder de influência e decião. A operação, realizada agora, tem também esse mérito, o de blindar a empresa a uma oferta hostil que acabaria por ser a morte da PT como a conhecemos.

A solução encontrada para a fusão PT/Oi é o melhor compromisso, a PT não morre, transforma-se. O País, aliás, precisa de mais 'PTs' que participem em processos de fusão internacionais, que estejam cotadas nas praças internacionais, que sejam também um expositor empresarial da economia nacional para os investidores e para os mercados.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:05
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