Sexta-feira, 4 de Outubro de 2013

Portas 1 - Troika 1

 

Paulo Portas tinha na oitava e nona avaliações da 'troika' ao programa de ajustamento português o primeiro teste a sério depois da crise política - por si desencadeada - em Julho. E se não ganhou o primeiro jogo com a 'troika' desde que é vice-primeiro-ministro, conseguiu não perdê-lo. O défice público em 2014 vai ter de ser de 4%, a TSU dos pensionistas caiu, mas está ainda muito por esclarecer.

A 'troika' aprovou a avaliação à execução do programa de ajustamento, e aparentemente de forma menos tensa do que na sétima avaliação, ainda com Vítor Gaspar, que demorou uma eternidade. Mas isso tem uma explicação. O Governo não tem margem de manobra para negociar nada ou quase nada, está a três avaliações do final do acordo e não depende apenas de si, depende de outros, depende também dos técnicos do FMI, BCE e Comissão Europeia.

Paulo Portas tem outro fôlego político, outra habilidade comunicacional, mas não resistiu a uma metáfora semelhante a outra, de Gaspar. Com uma pequena diferença: o ex-ministro falava de uma maratona, o vice-primeiro-ministro prefere as corridas de cinco mil metros. E faltam três voltas à pista, leia-se três visitas dos técnicos, as mais difíceis.

Paulo Portas agarrou-se à revisão da meta do défice de 2014 para 4,5%, uma derrota mais aparente do que real. Porque, assim, tem a oportunidade de co-responsabilizar a 'troika' pelo que vier a suceder na economia. E é justo reconhecer, por causa de Portas ou da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, a composição da austeridade sofreu alguns ajustamentos, pequenos, que servem sobretudo para vender politicamente uma nova realidade. Com novas taxas sobre as rendas da energia e fundos imobiliários, para substituir a TSU dos pensionistas, que valia 430 milhões de euros.

O plano de austeridade, esse, mantém-se no essencial como está, como foi assumido, nos precisos termos em que foi anunciado em Maio, numa carta do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho à 'troika'. Serão cerca de 4,3 mil milhões de euros nos próximos dois anos, dos quais mais de três mil milhões já em 2014. Não, não há um novo plano de austeridade, há um velho, que tem meses, e que o Governo vai mesmo ter de aplicar. Porquê? Porque o Governo e a 'troika' têm uma obsessão, e bem, a de Portugal recuperar a credibilidade e confiança dos investidores. O guião da reforma do Estado, ou melhor, dos cortes no Estado, segue dentro de momentos.

A aprovação da oitava a e nona avaliações já está assegurada, falta a apresentação de um Orçamento do Estado credível, as duas condições essenciais para o regresso aos mercados, para pôr fim à dependência de um financiamento de credores institucionais, mas poderão não ser suficientes. É necessário que terceiros acreditem, e rapidamente, para que a 'yield' da dívida pública portuguesa a dez anos regresse aos níveis pré-crise política, abaixo dos 5%. E ainda estamos longe disso.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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