Quarta-feira, 9 de Outubro de 2013

Choque de expectativas ou de realidade?

 

Os portugueses foram confrontados com um choque de realidade, que Pedro Passos Coelho classifica de choque de expectativa, por causa das medidas de austeridade anunciadas em Maio e que regressaram agora para nos atormentar. A verdade é que nunca tinham desaparecido, mas o Governo pode, outra vez, queixar-se de si próprio.

O primeiro-ministro diz, e com razão, que o Governo não apresentou um novo pacote de austeridade, grosso modo, é o mesmo que se conhece há meses, é mesmo anterior à crise política e a tudo o que aconteceu desde então. É se calhar, por aqui, que Passos Coelho deve começar a procurar as causas deste choque de expectativas.

Depois da remodelação governamental, o primeiro-ministro e o novo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, abriram um novo ciclo político, mais económico, e até escolheram uma nova equipa para a Horta Seca, com um gestor transformado, e bem, em ministro, António Pires de Lima. E deram todos os sinais de que o orçamento do próximo ano seria mais amigo do crescimento, o que, para qualquer português mediano, significa no mínimo que não haveria mais aumentos de impostos. O pacote de austeridade de 4,7 mil milhões de euros parecia ter ficado escondido numa qualquer gaveta do Ministério das Finanças. Não ficou. Não poderia ficar, claro.

É evidente que se Portugal ainda está longe de apresentar saldos orçamentais primários (sem juros) positivos, a austeridade não poderia desaparecer.

Ainda há menos de uma semana, Paulo Portas - ao lado de uns sisudos Maria Luís Albuquerque e Carlos Moedas - anunciou ao País o que tinha conseguido, mas esqueceu-se de revelar o que estava ainda em cima da mesa. O princípio da condição de recurso é da mais elementar justiça, também nas pensões de sobrevivência, foi até um Governo socialista a introduzir este critério nas prestações sociais, mas o que cria um choque de expectativas é um vice-primeiro-ministro, uma ministra de Estado e um secretário de Estado-adjunto a anunciarem que a TSU dos pensionistas não avançava, mas a esquecerem os cortes nas pensões de viuvez.

É esta gestão política que cria choques de realidade, muito penalizadores das expectivas e que põe em causa uma recuperação económica que, apesar de tudo, apesar dos ajustamentos e das crises políticas, parece querer emergir.

 

PS: Portugal está a sofrer uma mudança estrutural da sua economia? Há sinais positivos, mas ainda ninguém sabe com certeza. Em primeiro lugar, não é possível uma mudança estrutural do perfil económico e empresarial do País em apenas dois anos, mas, dito isto, os dados do Banco de Portugal revelam de forma evidente que a evolução das importações acompanha a curva do consumo privado. O que sobra? Apesar de tudo, as exportações continuam a revelar uma resiliência só possível porque há mais empresas a estar em sectores de bens transaccionáveis - mesmo descontando o efeito Galp e a refinaria de Sines.

 

PS1: Sobre o caso-Machete já se disse quase tudo, mas o melhor ficou para o fim, e com razão: o Procurador-Geral da República de Angola questiona-se sobre as fugas de informação do Ministério Público português em relação a processos em segredo de justiça. Como alguém dizia, 'habituem-se'.

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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