Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

Uma saída... chinesa

A China quer comprar dívida pública emitida por Portugal, quer entrar no capital das grandes empresas nacionais e quer promover a recuperação económica do País. Num momento em que Portugal atravessa uma crise grave - e da qual, verdadeiramente, ninguém sabe quando sairemos dela - e quando todos olham com desconfiança crescente para o nosso futuro enquanto País, o aparecimento de um D. Sebastião, o presidente chinês Hu Jintao, é, no mínimo, reconfortante. Mas é muito mais do que isso: explica e indica o que pode ser um dos desígnios de Portugal, do País, das empresas e dos cidadãos.

As iniciativas de um gigante político e económico global podem surpreender, mas apenas os mais distraídos. Vale a pena perguntar, primeiro, porque é que a China tem interesse em investir em Portugal. Não é, seguramente, pela dimensão do nosso mercado interno, nem pelo dinamismo da nossa economia. Aliás, as relações comerciais entre os dois países são mínimas, e o elo de ligação chama-se Macau. É, arrisco dizer, quase exclusivamente pela posição e capacidade de negociação de Portugal e das empresas portuguesas em África e no Brasil, dois mercados onde a China está a posicionar-se para reequilibrar as relações de força com os Estados Unidos. A aposta na União Europeia e no euro e nos mercados emergentes permitem concretizar este objectivo.

Ora, Portugal tem, aqui, uma oportunidade única: Pertence ao euro e à moeda única e tem relações privilegiadas com África e com o Brasil, factos reforçados pela fragilidade actual e pela necessidade de encontrar novos parceiros e mercados. Vejam-se os casos da EDP e do BCP, duas das maiores empresas nacionais que já estão em África, e aqui Angola é o mercado mais relevante, e no Brasil. E veremos, também, se a Galp não será outra empresa na mira dos chineses.

Portugal deixa de ser, como que por magia, um País periférico e volta a ser o centro do mundo para uma China que é gigante do ponto de vista económico, mas precisa de ser apoiado politicamente nas instâncias internacionais, de um amigo que não torne a sua entrada no mercado numa invasão não-militar, necessariamente mal-vista e mal-recebida. São estes os factores que tornam Portugal um aliado relevante dos interesses chineses, que não podemos, nem devemos, dispensar. 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 23:24
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