Sexta-feira, 11 de Outubro de 2013

O ano de todos os cortes, se o Constitucional deixar

Depois de um brutal aumento de impostos em 2013, o Governo prepara-se para avançar, no Orçamento do Estado para 2014, com um brutal corte de despesa, que afectará necessariamente os grupos de portugueses que dependem directamente de prestações sociais e de remunerações do Estado, leia-se todos os pensionistas e os funcionários públicos. Esta vai ser o ano de todos os cortes, se o TC deixar.

Haveria alternativa? A necessidade do Estado de reduzir despesa é evidente desde o primeiro dia em que este Governo entrou em funções, porque, mesmo sem os encargos com juros, as contas públicas estão longe do equilíbrio orçamental primário. E não podemos, ao mesmo tempo, criticar o aumento de impostos e o corte de despesa.

O problema é que o Governo deixou para a segunda fase do ciclo político a decisão de cortar na despesa, concentrou-se, primeiro, sobretudo no aumento de impostos, uma opção, ainda por cima, 'incentivada' pelas decisões do Tribunal Constitucional, o que atirou a economia ao tapete, e franjas da população para o limiar da pobreza.

O que torna tudo isto difícil, mas necessário, é que o Governo está, neste momento, encurralado, sem margem de manobra, a meses de saber se tem condições de aceder ao programa cautelar da 'troika' ou se o País vai ser empurrado para um novo resgate, com uma austeridade que vai fazer da que vivemos nos últimos dois anos um passeio no parque.

O Governo perdeu tempo, e perdeu espaço, até político, porque, na verdade, Passos Coelho tem de gerir as expectativas dos mercados e dos credores, enquanto António José Seguro está concentrado em gerir as expectativas dos eleitores. São dois mercados com objectivos mais próximos do que se pensa, mas com calendários muito diferentes.

O Governo, este ou um próximo, socialista, não tem alternativas, o caminho será sempre este, com mais ou menos jeito, porque a economia já não pode suportar um Estado como o que temos, e já não há credores disponíveis para pagar a nossa festa, leia-se o défice primário que ainda apresentamos depois de tantos sacrifícios. É justo reconhecer, as empresas e as famílias ajustaram de forma muito mais rápida do que o Estado, que não pode continuar a fugir à realidade. Porque, como está, 'se correr o bicho pega, se ficar o bicho come'.

 

 

 

'O País pergunta' foi uma aposta ganha da RTP e, particularmente, do director de informação, Paulo Ferreira, que arriscou numa televisão pública um modelo de entrevista longe de ser consensual e até arriscado, para o entrevistado e para a própria televisão.

O modelo tem méritos, mas se o País perguntou o que queria - e algumas das perguntas são seguramente um sinal para os jornalistas, como os candidatos independentes são para os políticos profissionais - Passos também respondeu o que quis.

Este é, talvez, o principal ponto de reflexão para o próximo programa, presumivelmente com António José Seguro. Como se percebeu ao fim de dez minutos ou quinze de programa, a tarefa de Carlos Daniel tornou-se absolutamente ingrata. Deixou de ser o jornalista que garantia a necessária réplica - como fez, e muito bem, nas últimas três perguntas a Passos Coelho, para ser um moderador de tempo de perguntas e respostas.

Fica uma sugestão. Para os 90 minutos de programa, cerca de 10 perguntas são suficientes e permitem um contraditório. O problema é que assistimos, n'O País pergunta', não a uma entrevista com 20 perguntas, mas a 20 entrevistas com direito a uma pergunta por entrevista.

O problema não foram as perguntas, e mesmo os 20 melhores jornalistas do País em 20 áreas diferentes não conseguiriam tirar outras respostas a Passos Coelho com este modelo. Vale a pena voltar ao 'O País pergunta'? Sim. 'O País pergunta' esgota o tradicional modelo de entrevistas? Não.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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