Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

Silêncio, que é preciso 'cantar' Portugal

Os ministros de Estado de José Sócrates estão a revelar-se os maiores adversários da estabilidade política e financeira do País, precisamente quando o melhor que poderiam fazer seria remeterem-se ao silêncio. As afirmações de Luís Amado e Teixeira dos Santos têm motivações diferentes, mas consequências idênticas: fragilizam o primeiro-ministro e, por isso, Sócrates bem pode dizer que dispensava amigos como estes. Mas, pior, fragilizam o Governo e o País.

Luís Amado, já o escrevi neste espaço, é um ministro diferente, para muito melhor, neste Governo. Não é a primeira vez, valha a verdade, que o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros defende um acordo alargado entre os principais partidos para garantir a governabilidade do País. Disse-o em entrevista ao Diário Económico no passado dia 26 de Outubro e voltou a dizê-lo, de forma mais incisiva, no sábado, ao "Expresso". Acrescentou que estava mesmo disposto a sair do cargo que ocupa. Aparentemente, foi 'só' um estado de alma…

Amado tem razão: sem um bloco central de entendimento não é possível fazer nada deste País. Mas não pode dizê-lo nestes termos, neste momento, sob pena de ter de sair já. Como não pode, ou não deve, resta outra leitura: Luís Amado antecipa o 'fim' de José Sócrates e posiciona-se para ser a ponte de ligação para o Governo de salvação nacional que se seguirá.

Teixeira dos Santos está 'nas últimas'. Em três meses, passou de bestial a besta, e sentiu como nenhum outro ministro de Sócrates a crise política que afecta Portugal. É, também, e sobretudo, um dos responsáveis pelo falhanço da política orçamental de 2010, que já mostrou um buraco superior a dois mil milhões de euros.

Ainda há seis meses, poderia ter passado, com distinção, para o Banco de Portugal, e era visto, em Belém e até no PSD, como o elo de responsabilidade que faltava a José Sócrates. Hoje, já não é um activo do Governo, é um passivo, faz parte da dívida pública 'política' deste Governo, porque entrou num processo de desgaste rápido, do qual não parece conseguir sair, e as declarações equívocas que se sucedem só o provam.

Bem vistas as coisas, o que Portugal poderia fazer nas últimas semanas, depois do que não foi feito desde o início do ano, já foi feito. Já temos um orçamento e a promessa de que o cumpriremos. Agora, já pouco ou nada depende de nós, portugueses, para evitar a chegada do FMI. Não vale a pena diabolizar os mercados, nem sequer a senhora Merkel. Não agora.

Ora, os dois ministros de Estado, Luís Amado e Teixeira dos Santos, por motivos e razões bem diversas, estão a mais no Governo, mas não poderão sair tão cedo. O problema é que há uma 'suspensão' da Democracia nos próximos seis meses, por isso, pede-se apenas uma coisa: silêncio, porque é preciso 'cantar' Portugal.

publicado por concorrenciaperfeita às 00:32
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