Quinta-feira, 24 de Outubro de 2013

Mudanças, sim, para pior

O Governo de Pedro Passos Coelho nunca foi um modelo de comunicação e de coordenação política, mas custa a perceber que, passados quase dois anos e meio desde que entrou em funções e poucos meses depois de uma remodelação profunda, se perceba que se houve mudanças, foram para pior. A discussão em torno do acesso ao programa cautelar depois do fim do programa de ajustamento, em meados do próximo ano, as afirmações e desmentidos, as contradições entre ministros numa matéria tão sensível como este a dias do início da discussão da proposta de Orçamento para 2014, é um péssimo sinal, interno e externo. Passos Coelho prometeu um Governo mais coeso e mais consistente depois da crise política de Julho na coligação, mas episódios como o da negociação/não negociação/preparação da negociação do programa cautelar desmentem-no de forma clara. António Pires de Lima disse o que é uma evidência, o melhor que nos pode suceder agora é correr para a protecção do Banco Central Europeu (BCE). Realisticamente falando, claro. Podemos sempre insistir na tese de que se falarmos mais alto, nos perdoarão os juros ou criarão regimes de excepção, mas isso está, por agora, no domínio da retórica política. Acabaremos por chegar aí, a prazo e num movimento que só pode ser feito de forma conjunta a nível europeu. Vai ser necessário tempo. Antes, é preciso resolver um problema de curto prazo, já nos próximos meses. A proposta de Orçamento do Estado para 2014 é um dos instrumentos, a coordenação política é uma condição sine qua non. O problema é que o ministro da Economia precipitou-se e antecipou, com isso, uma discussão política, que António José Seguro aproveitou e bem. O Governo quer aceder ao cautelar, no fundo, quer beneficiar de uma bomba atómica, uma linha de seguro do BCE, para garantir um regresso normalizado aos mercados. Mas ainda não cumpriu todas as condições para lá chegar, por isso, teve de ouvir Bruxelas afirmar que essa discussão é prematura. Ainda não escapamos ao segundo resgate. Como é que o Governo geriu este caso: a primeira reacção a Pires de Lima foi de Moreira da Silva, o ministro do Ambiente e Energia que era, até há pouco, vice-presidente e homem de confiança de Passos Coelho no PSD. Não é preciso explicar mais nada. Fernando Ulrich dizia, esta semana, que o País não deveria discutir ou falar sobre o segundo resgate ou sobre o programa cautelar. O País não deveria é ter um Governo desalinhado e sem uma coordenação política mínima. Porque um consenso político alargado só é possível se o Governo for capaz de falar a uma só voz.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:08
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds