Quarta-feira, 30 de Outubro de 2013

Podia ser pior?

 

Portugal perdeu mais de 55 mil habitantes em 2012, os nascimentos caíram abaixo dos 90 mil pela primeira vez em décadas, o número de idosos por cada 100 jovens até aos 14 anos passou de 113 para 131 de 2007 até 2012 e o saldo migratório registou uma quebra de mais de 37 mil pessoas. É preciso citar mais algum dado para ser claro o caminho de falência do Estado social e, mais do que isso, do País?

Os números oficiais foram divulgados ontem pelo INE, passaram ao lado do noticiário, que continua centrado na conjuntura, nas discussões políticas sobre o orçamento de 2014, no dia seguinte. Mas, como se percebe, este é o menor dos nossos problemas, ou melhor, só evidenciam a urgência em mudar, de forma estrutural, o contrato social vigente, a relação de forças - para dizê-lo sem eufemismos - entre direitos e deveres. E põem em causa, por exemplo, a ideia de que, o sistema de pensões só tem um problema de curto prazo por causa da crise económica. Não é verdade. Ponto.

O dia seguinte é importante, o longo prazo é feito da soma de muitos curto prazos, e esse é que é o problema que se aprofunda há anos, e que este Governo, supostamente mais preocupado com a natalidade e a família, não quis ou não pode resolver. Os números são dramáticos, e mostram que estamos a construir uma sociedade sem futuro.

A crise económica - que tem razões conjunturais e problemas estruturais que vão demorar anos a ultrapassar - não só estão a destruir um fluxo migratório que foi, durante décadas, um dos factores de crescimento económico, como está a levar a natalidade para níveis impensáveis. Somados, temos a maior quebra da população desde 1969.

Perante estes dados, todos os raciocínios que tinham implícito o factor-tempo, leia-se a existência de tempo para fazer mudanças, têm de ser revistos. Não, não é por causa da 'troika', é mesmo por nossa causa, porque a degradação dos indicadores demográficos é uma realidade pelo menos desde 2008, mas tem proporções catastróficas em 2012. E 2013 só pode ter sido pior. Mais emigração e menos natalidade.

A quebra da população residente e, sobretudo, o crescente desequilíbrio entre população activa e inactiva, entre quem paga o sistema tal e qual o conhecemos e quem beneficia dele, torna evidente que os cortes que estão agora em discussão não resolverão nada de estrutural. É urgente adoptar políticas de natalidade, a recuperação económica será crítica para reter a população jovem e qualificada que está a sair do País, mas ainda é mais urgente reformar o modelo de financiamento do Estado, não só do Estado social. Não chega cortar 'a direito', é preciso reformar. 

As (bem)ditas reformas estruturais ajudam a diminuir a catástrofe se a nossa competitividade melhorar, se formos mais produtivos, no entanto, a tendência que se percebe nestes números não indicia nada de bom. Não há potencial económico que resista a um envelhecimento da população e à perda dos mais qualificados.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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