Segunda-feira, 4 de Novembro de 2013

Um divórcio de conveniência

Ricardo Salgado e Pedro Queiroz Pereira encerraram, com um comunicado conjunto de 17 linhas apenas, um conflito que em actas de assembleias-gerais das dois grupos e em processos em tribunal tem milhares de páginas, uma guerra em que todos tinham muito a perder. O acordo acaba por ser, assim, um divórcio de conveniência de dois grupos que podem, agora, seguir à sua vida.

Ricardo Salgado e Pedro Queiroz Pereira não eram, há muito, os melhores amigos. Mas estavam ligados por participações cruzadas, num casamento de conveniência que o tempo, e a crise, foi apontando para um divórcio. Mas ninguém o admitia litigioso, como acabou por ser, apesar dos danos controlados na última oportunidade. A forma como Pedro Queiroz Pereira terá assumido o controlo efectivo do grupo Semapa e as desavenças com a irmã Maude e os primos Carrelhas foram o pretexto que Salgado esperava para sair. Mas não contava com um 'PêQêPê' que, por ter também cerca de 7% da holding familiar do grupo Espírito Santo (ES Control), dispôs-se a transformar um conflito accionista num grupo numa guerra de famílias de consequências imprevisíveis.

O que era uma guerra de irmãos dentro da Semapa - mais uma, porque PêQêPê já tinha tido outra, com outra irmã que, entretanto, saiu - passou a ser uma guerra de grupos. E, se todos tinham a perder, era Ricardo Salgado e o GES os que tinham mais coisas em causa. Porquê? Porque PêQêPê não se limitou a tentar defender o controlo do grupo Semapa, pôs em causa a controlo do BES e, no limite, a estabilidade do sistema financeiro português se se verificasse algum problema accionista na holding que controla, indirectamente, o banco.

Ricardo Salgado tem hoje outros problemas, como a pública e notória guerra com Álvaro Sobrinho em Angola, e outras dificuldades, como os stress tests que a Autoridade Bancária Europeia vai realizar, no próximo ano, aos bancos europeus e a um conjunto de bancos portugueses, incluindo a Espírito Santo Financial Group, que controla directamente o BES. São frentes suficientemente relevantes para ter, em paralelo, uma guerra com quem, ainda por cima, deu sinais de que está disposto a tudo.

O acordo, do que se sabe, e não se sabe muita coisa, garante um descruzamento de participações ou, dito de outra forma, permite que cada um trate da sua vida. O GES saiu do grupo Samapa, PêQêPê sai da ES Control. Queiroz Pereira acabou por pagar o que não queria, mas reforçou o seu poder e dos que fazem parte do seu núcleo duro e garantiu que a irmã Maude deixe de contar. Ironicamente, Maude não assinou o acordo que Ricardo Salgado fez com Queiroz Pereira e, agora, ficará ou não no capital do grupo, mas é certo que deixará de ter qualquer tipo de influência accionista ou de gestão. E, se não vender nas mesmas condições do GES, ficará, mas completamente isolada.

Sobra, no final do dia, um acordo que serve a todos e acaba com um conflito que tinha tudo para correr muito mal.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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