Terça-feira, 12 de Novembro de 2013

Machete disse a coisa certa no momento e sítio errados

 

Rui Machete é já um caso perdido neste Governo, mas isso não o torna inimputável. É ministro dos Negócios Estrangeiros e, por isso, as suas declarações sobre a taxa de juro de referência das Obrigações do Tesouro para escaparmos a um segundo resgate - os 4,5% - devem ser levadas a sério. Não foi uma 'gaffe', foi uma confissão sobre o que ainda falta fazer para regressarmos à normalidade.

O ministro dos Estrangeiros veio corrigir, outra vez, o que disse. À agência Lusa, na Índia, assinalou com a precisão de um economista ou até de um ministro das Finanças o valor das 'yields' dos juros portugueses. Só com uma taxa de 4,5%, disse, ora, esta meta está muito longe de ser atingida no curto prazo, particularmente antes de se saber se Portugal tem condições para aceder a um programa cautelar. Talvez por isso, os mercados ignoraram Rui Machete, e ainda bem.

O ministro das Negócios Estrangeiros queria dizer, provavelmente, outra coisa, essa verdadeira, que não soube explicar. A taxa de juro média implícita da dívida pública portuguesa de longo prazo é inferior a 3,5%, portanto, a prazo, não é possível admitir a sustentabilidade da dívida se os juros não forem claramente abaixo dos 4,5%. De acordo com os modelos de sustentabilidade da 'troika', se a economia crescer a 3%, os juros sustentáveis estarão fixados abaixo dos 5%. Mas como não se esperam milagres como este, provavelmente Machete disse uma coisa certa, da forma errada e no momento errado.

A estratégia do Governo nesta matéria tem dias, e protagonistas. Às vezes, queremos o programa cautelar, nas outras não queremos nada, às vezes já estamos em contactos para preparar a saída do programa de ajustamento, outras situações há em que só queremos sair do "protectorado" e escapar ao segundo resgate. Marcelo Rebelo de Sousa, desta vez, tem toda a razão. O programa cautelar é o melhor que nos pode suceder, até António José Seguro já abriu a porta a conversar sobre o assunto, portanto, o País teria a ganhar se abrisse desde já negociações formais. Se queremos ser como os irlandeses, é aproveitar agora.

 

PS: Todos cederam alguma coisa, Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi entenderam-se a bem do BES, assinaram as tréguas e um acordo familiar indispensável para garantir um processo de sucessão tão pacífico quanto o possível em 2015. Salgado ganhou um ano e meio, Ricciardi entra formalmente na lista de sucessão, os dois vão manter uma convivência de conveniência. O tempo não anda para trás, as amizades não se reinventam, mas uma guerra hoje no GES seria pior, seria um salto no escuro, no abismo.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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