Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013

Marques Guedes tem sorte em não se chamar Machete

 

 

O governo da Irlanda, afinal, não estava a fazer 'bluff' para garantir melhores condições da 'troika' num eventual programa cautelar, os irlandeses decidiram mesmo pôr fim ao regime de protectorado e arriscar sozinhos no mercado. É um risco controlado, tendo em conta o nível de juros da dívida irlandesa, o pior é mesmo para Portugal e sorte tem o ministro da Presidência que não se chama Rui Machete.

Luís Marques Guedes, na verdade, não teve ontem um dia feliz. Num tom cândido, e de uma assentada, expôs as fragilidades do País em plena conferência de imprensa do Conselho de Ministros e insistiu na tese de que o Governo não precisa do PS para um programa cautelar. Do ponto de vista externo e da política interna, são dois tiros desnecessários e até contraditórios com as necessidades do Governo e do País.

Sim, a decisão da Irlanda deixa Portugal numa situação mais frágil. Já não poderemos dizer, agora, que queremos ser como os irlandeses. Recordo, ainda, uma conferência de imprensa de Vítor Gaspar que apareceu com uma gravata com os trevos da Irlanda para confirmar a ideia de que, para o Governo, acompanhar o caminho dos irlandeses era fundamental. Perdemos o comboio, ficámos sozinhos, porque é certo que o programa cautelar é o melhor que nos pode suceder. O pior é a Grécia e o segundo resgate, com 'default' na certa.

Se isto tudo é verdade, era desnecessária a confissão de impotência do ministro da Presidência. Se o País, ou melhor, o Governo perdeu a referência, o que vai ser daqui para a frente?

É por isso mesmo que à medida que se aproxima o momento da verdade, a aprovação do Orçamento do Estado e o teste do Tribunal Constitucional, a negociação com a 'troika' e o desejável regresso aos mercados em condições de garantir a sustentabilidade da dívida pública, o PS é cada vez mais necessário. Marques Guedes não acredita no que diz, não acredita que o programa cautelar pode ser negociado e assinado sem o envolvimento do PS e de António José Seguro. E se acredita, então, as perspectivas são ainda piores do que temos hoje, da capacidade política do Governo de negociar condições adequadas para o cautelar.

Como já escrevemos no Económico, há vários tipos de programa cautelar, há quatro identificados com intensidades e exigências diversas. O Governo português vai ter, agora, de negociar um caminho sem companhia. Talvez seja melhor deixar Rui Machete e Marques Guedes fora disto.

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:10
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