Terça-feira, 19 de Novembro de 2013

Os Correios não são um negócio do passado

 

O Governo deu mais um passo para conseguir fazer a primeira privatização do ano, ao fixar o preço dos CTT entre os 615 e os 828 milhões de euros, o que supera largamente as melhores previsões dos que anunciaram o interesse na empresa. Os Correios, afinal, não são um negócio do passado, são o novo negócio da moda.

Há alguns anos, poucos, ninguém ousava admitir que a venda de empresas de Correios por essa Europa fora iria gerar, como está a fazê-lo agora, tanto interesse. Primeiro na Bélgica, depois no Reino Unido, agora em Portugal. As duas primeiras operações foram realizadas em bolsa, e com sucesso, a terceira promete. Faz lembrar o desdém dos investidores e dos próprios gestores de telecomunicações nas redes fixas de telefone, um negócio aparentemente ultrapassado e que, afinal, se revelou crítico para o sucesso de empresas pela Europa.

Os Correios reinventaram-se, já ninguém envia cartas, mas a marca de credibilidade, tão relevante e emocional como outras, poucas, empresas públicas, permitiu assegurar a confiança para vender serviços financeiros. Depois, o fenómeno do comércio internacional exigiu uma resposta logística que os CTT souberam dar, porque as encomendas 'online' continuam a exigir a entrega física das encomendas. A tudo isto, um cofre cheio de dinheiro que motivou a corrida de investidores como Paulo Fernandes ou os fundos Apolo e Apax, que pagariam a empresa com o 'pêlo do cão'. É por isso que o modelo de venda em mercado e não por negociação directa é a melhor opção.

Se tudo isto é verdade, porque é que o Governo, afinal, privatiza a empresa? Por convicção e por necessidade. As razões ideológicas, e ainda bem que existem num País que tem tanta dificuldade em fazer escolhas, são óbvias. O Governo não quer deter empresas. Mas também a necessidade de mais dinheiro para abater à dívida pública. No total, o Governo vai atingir os sete mil milhões de euros de receitas de privatizações, e ainda assim a dívida pública continua a subir.

Das contas do Económico ressalta que os CTT serão uma das empresas cotadas com uma política de dividendos mais generosa, se mantiver, claro, a política de distribuição de resultados dos últimos anos. É um chamariz para os investidores institucionais, mas também para os particulares, que vão olhar para esta opção de investimento como alternativa a outros instrumentos de poupança.

O Estado, esse, vai continuar a mandar, porque nenhum dos accionistas privados controlará uma posição tão relevante como os 30% que permanecerão no universo público. É a garantia, apesar de tudo, para a manutenção de uma estabilidade na equipa de gestão liderada por Francisco Lacerda. Ainda bem.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:20
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds