Quinta-feira, 21 de Novembro de 2013

Um diálogo de surdos

 

Se fossem necessárias mais provas, as últimas trocas de acusações entre o Governo e o PS por causa de um entendimento que todos pedem mas ninguém, aparentemente, quer, mostra como o País está a viver um diálogo de surdos em matéria de consensos políticos. E, nesta fase, verdadeiramente, todos ralham e já ninguém tem razão.

O Orçamento do Estado que vai ser aprovado pela maioria parlamentar no próximo dia 26 já entrou no Parlamento com uma margem de negociação muito limitada, para não dizer outra coisa. Qualquer análise mais fina às contas do Orçamento revela os riscos da sua execução e as centenas de milhões de euros de corte de despesa dos ministérios que não estão identificadas, por isso, o objectivo de redução do défice para 2014 já era um objectivo difícil de atingir.

As discussões do Orçamento na especialidade e até as propostas dos partidos do Governo serviram desde cedo para mostrar a reduzida margem de manobra de Maria Luís Albuquerque. Muitas reuniões e contas depois, o Governo aceitou uma mudança no valor mínimo de salários e pensões protegidas dos cortes de 600 euros para 675 euros, isto é, um impacto de cerca de 30 milhões de euros.

Ora, como é evidente, as medidas que o PS ainda ontem, como a descida do IVA na restauração ou o aumento do subsídio social de desemprego também não são para levar a sério neste contexto. Portanto, nem o Governo quer as propostas do PS, nem o PS quer que o Governo as aceite.

É neste quadro que os três partidos do arco da governação deveriam abrir um debate, e uma discussão, sem imposições de Belém, sobre o que deve ser o programa cautelar e o que o País deve estar disponível para aceitar. Isso obrigaria, por exemplo, a que o primeiro-ministro deixasse cair a retórica política em torno das negociações com a 'troika', e que António José Seguro aceitasse sentar-se à mesma mesa sem impor condições prévias.

Se nada disto suceder, a situação política só poderá degradar-se e é neste contexto político que o Governo vai ter de negociar um programa cautelar. Se alguém tem dúvidas sobre as dificuldades que se vão colocar, deveria reler o relatório da oitava e nona avaliações ao programa de ajustamento. Preparem-se.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 09:00
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