Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013

É preciso tirar o elefante do meio da sala

 

 

O Tribunal Constitucional foi transformado, e deixou transformar-se, no 'elefante no meio da sala'. Já ninguém discute mais nada, os relatórios de instituições internacionais como a 'troika' ou as agências de rating já perderam a vergonha, e o receio de serem acusados de pressão. Já passaram há muito essa fronteira.

Nesta fase, o País, a 'troika' e os investidores estão à espera do que for decidido pelos juízes do Palácio Ratton e, por isso, é pouco provável que as 'yields' da dívida pública portuguesa tenham uma evolução positiva nas próximas semanas. E não haverá compromissos ou consensos que consigam ultrapassar esta linha.

Dito isto, a primeira das decisões que o Tribunal Constitucional vai ser chamado a tomar é a relativa aos cortes de pensões da Caixa Geral de Aposentações, isto se o Presidente da República tomar a decisão de enviar o diploma para fiscalização preventiva. Tendo em conta o que está em causa, e o risco de o País ficar politicamente 'congelado' até haver uma decisão, seria preferível uma resposta já, desejavelmente antes da entrada do Orçamento do Estado em vigor.

Tem riscos, claro. Um deles decorre directamente da necessidade de o Governo ter um plano B de resposta ao Constitucional. E de ser obrigado a accioná-lo já. Será, necessariamente, um novo aumento de impostos, e do IVA. É uma solução pior, vai afectar o sentimento económico e estes sinais que se vão percebendo, mas a alternativa é pior, porque os juros dificilmente baixarão para níveis que permitem emissões de dívida sustentáveis. E, neste caso, antes de regressarmos aos mercados, regressaremos à discussão sobre um segundo resgate.

É, por isso, urgente tirar o elefante do meio da sala.

 

 

PS: Os sinais positivos sobre a evolução da situação económica do País não se lêem apenas nos indicadores de confiança ou nas estimativas rápidas do INE sobre o PIB. Também se percebem nos resultados das 20 empresas cotadas no principal índice bolsista da Euronext Lisboa, no aumento dos lucros das empresas se excluirmos os enormes prejuízos da banca, como explica, num detalhado trabalho, o jornalista Rui Barroso nesta edição. Os resultados negativos do sector financeiro, às vezes, são uma boa notícia. Foram, no caso dos bancos cotados portugueses, quando se percebe que resultam de provisões que servem de almofada para o que vier a suceder e negativo no crédito concedido. E começam a dar sinais de que vão diminuir. Já as não-financeiras apresentam um crescimento dos lucros significativo, também por causa de operações extraordinárias, como foi o caso da PT. Mesmo assim, é melhor do que nada, do que prejuízos.

 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds