Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

A reparação dos estaleiros

 

A história dos Estaleiros Navais de Viana de Castelo é um 'case study' do que não deveria ter sucedido ao longo das últimas duas décadas, de má gestão e instrumentalização política, dos quais os últimos dois são apenas uma tentativa, às vezes atabalhoada, do actual Governo de vender uma empresa pública. Diga-se, já agora, mais uma que acumulou prejuízos e passivo, que consumiu impostos dos contribuintes e que, ao contrário do que às vezes parece ser a voz dominante, ninguém quer a não ser que o Estado assuma os custos da sua reestruturação.

É evidente que a notícia de um despedimento de 609 trabalhadores é um murro no estômago, mais ainda numa situação económica e social como a que o País vive. Mesmo tendo em conta o cumprimento (não faltava mais nada!) dos direitos dos trabalhadores e o pagamento das respectivas indemnizações, o desemprego é brutal, sempre.

A solução encontrada é, mesmo assim, a melhor que o Governo poderia arranjar. E a única crítica que pode ser dirigida a Aguiar Branco - sim, é o ministro da Defesa que está a gerir a venda da empresa - foi o tempo para concluir uma operação que deveria estar feita nos primeiros seis meses. Sim, mesmo com 609 despedimentos, esta é a melhor solução, para todos, incluindo os trabalhadores que serão agora alvo de despedimento.

Face aos termos conhecidos do negócio, é evidente que nenhuma empresa estaria na disposição de ficar com os Estaleiros nas actuais condições, sem a respectiva reestruturação, leia-se, sem eufemismos, os despedimentos, que custarão cerca de 30 milhões de euros. É por isso que o ministro da Defesa garante os direitos laborais, só pode garantir isso, não pode garantir empregos. Só poderia fazê-lo à custa dos impostos de todos os portugueses para pagar os prejuízos dos Estaleiros. Os números económico-financeiros falam por si, pode lê-los nesta edição.

Ora, só por má vontade é que é possível admitir que a Martifer se mete neste negócio sem ter a intenção e a convicção de que quer mesmo dar um novo futuro aos Estaleiros de Viana. Quererá este negócio, afinal, para quê? Ganharia, o quê? Também é evidente que a Martifer só contratará os citados 400 trabalhadores se houver negócio, se houver encomendas, mas há, ainda assim, uma porta que continua aberta, com uma gestão privada, em contraponto à desastrosa gestão pública dos últimos vinte anos.

A verdade é que, para mal de todos nós, a reparação dos Estaleiros de Viana é mais fácil de fazer nas manifestações de rua do que na realidade dos negócios.

 

PS: O Económico revelou um relatório da Autoridade da Concorrência que pede uma revisão dos apoios às centrais da EDP. E volta, assim, a discussão sobre as rendas excessivas na energia. Sabe-se, agora, que este relatório é de Março - porque ficou fechado na gaveta? - e as recomendações já estão incorporadas na negociação que o Governo já fez com a EDP. Dito isto, para acabar com esta discussão, liberalize-se de vez o mercado e acabe-se com os preços fixados pela entidade reguladora. Mas, atenção, é preciso notar que os preços da electricidade só poderão aumentar, como se constata dos sucessivos défices tarifários que a EDP assume anualmente e, a partir daí, sim, cumpre-se um dos critérios essenciais para uma concorrência que todos pedem no sector no segmento das famílias, porque no caso das empresas a eléctrica nacional já tem menos de 50% do mercado.

 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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