Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2013

Um problema de cada vez

 

 

João Moreira Rato apanhou um grande susto em Julho, quando Paulo Portas abriu uma crise política na coligação e pôs em causa o trabalho de formiga do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) junto dos investidores. Ontem, voltou a sorrir por causa de uma troca de dívida que alivia a pressão de financiamento do Estado em 2014. Se não fosse o Tribunal Constitucional e o diploma da convergência das pensões, Passos Coelho poderia dizer que, este ano, o Natal tinha chegado mais cedo.

Em primeiro lugar, o que é positivo nesta operação? Portugal tinha, já se sabia, um ano de 2014 pesado em termos de financiamento e de amortizações, precisamente o ano em que termina o programa de ajustamento, e será necessário garantir um regresso aos mercados, sozinho ou acompanhado, isto é, com o apoio do BCE. Com esta jogada, Portugal diminui as necessidades líquidas de 10,7 para 8,2 mil milhões de euros. É, também, por estas razões que a credibilidade de Portugal junto dos investidores sai reforçada.

Depois, há outro sinal positivo. A operação foi utilizada para 'alisar' o ano de 2014, mas também as necessidades de 2015, o que permite perceber que o Governo já tem praticamente assegurado o financiamento do próximo ano. De resto, até é em 2015 o maior impacto desta operação de troca. Sim, é óbvio, os juros são superiores aos que estavam contratados, custar-nos-ão mais, em impostos, serão pagos em 2017 e 2018, mas são as circunstâncias de cada momento que determinam a qualidade de cada operação, são as necessidades, não os desejos.

A operação foi um sucesso - ainda por cima no dia da privatização dos CTT que também ajuda a construir a imagem do País junto dos investidores -, era uma condição necessária para o regresso aos mercados, mas não é uma condição suficiente. Faltam outras coisas, falta saber o que decidem os juízes do Constitucional, por exemplo.

O verdadeiro regresso aos mercados, esse, fica para o primeiro trimestre do próximo ano. Esta foi garantida pelos bancos nacionais, que, claro, têm também o seu futuro ligado ao do próprio Estado. Num ano de todas as inspecções e da avaliação da 'troika', dispensam bem as pressões sobre o financiamento do Estado. E sobra, claro, o aspecto negativo desta operação: os anos de 2017 e 2018 passam a ser, no perfil de amortizações do Estado, anos pesados e que vão também justificar outras operações de troca. Mas, pensará João Moreira Rato, Maria Luís Albuquerque e Pedro Passos Coelho, um problema de cada vez.

 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:55
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