Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2013

Lacerda quer voltar a gerir um banco?

 

 

Os CTT já não são do Estado, são oficialmente, a partir de hoje, uma empresa maioritariamente privada, mas continuam maioritariamente nas mãos dos portugueses porque se transformaram, eles próprios, num enorme 'certificado de aforro' dos 25 mil pequenos accionistas, que neste contexto de crise, tiveram a capacidade de manter e até aumentar a sua poupança. A partir de agora, os CTT estarão à negociação na Euronext Lisboa, que tanto precisava de uma operação pública de venda e de um novo título depois de cinco anos de deserto. Os CTT são daquelas empresas que se confundem com os portugueses, como a Caixa Geral de Depósitos ou a TAP, mas, ao contrário do que antecipavam os velhos do Restelo, hoje, dia 5 de Dezembro de 2014, só mudou o capital. As cartas continuarão a ser entregues como até aqui, com a mesma fiabilidade, até com os mesmos carteiros.

Concluída a operação, nos termos e nas condições em que foi feita, é claramente uma vitória do Governo, que recusou a negociação directa com investidores que se anunciavam como estratégicos. Os institucionais, sobretudo do Reino Unido, e os particulares, em Portugal, aceitaram a avaliação do Governo, mas, atenção, esse é, paradoxalmente, um dos riscos que corre quem tem, a partir de hoje, acções dos CTT.

A margem de valorização dos CTT em bolsa está, a partir de hoje, limitada, mas como fica claro da adesão dos particulares e do perfil dos institucionais, este é um investimento de longo prazo. E isso é, talvez, o maior contributo para a gestão de Francisco de Lacerda, que, já se sabe, será proposto pelo Estado, que mantém 30% do capital, para um novo mandato.

Lacerda já não terá as limitações que teve até aqui para fazer crescer os CTT, a marca continuará a ser um símbolo de Portugal, mas a gestão tem uma nova margem de manobra para gerir uma empresa sem os constrangimentos de pertencer ao sector empresarial do Estado. E a primeira das decisões determinará muito do futuro da empresa. Lacerda passou pela administração do BCP, quer voltar a gerir um banco?

 

PS: A Comissão Europeia acaba de decidir uma multa histórica a cinco bancos mundiais e a uma corretora por manipulação das taxas Euribor e Libor. Dois bancos escaparam à multa porque fizeram a denúncia. Já não faltava mais nada para arruinar de vez a reputação dos banqueiros, depois de ter sido o sistema financeiro norte-americano a cometer o pecado original do 'subprime', que pôs a nu a completa desregulação de um sector que não soube usar a liberdade que tinha em benefício de todos. A verdade é que, internacionalmente, passados cerca de seis anos sobre o 'subprime', o caso da Euribor deixa o desconfortável sentimento de que há, ainda, muito lixo debaixo do tapete. A banca portuguesa tem escapado a estes processos, mas os riscos reputacionais também estão aí. É por isso precipitada a iniciativa de Faria de Oliveira de fazer regressar à discussão do tema sobre as comissões nos multibancos. É um caso perdido à partida, mesmo tendo em conta que a questão da redução das comissões nos pagamentos electrónicos - que vai ser um tema no primeiro trimestre de 2014 - nada tem a ver com a redução dos preços finais ao consumidor, mas antes com a distribuição de uma margem, a dita comissão, entre bancos e o comércio, nomeadamente a grande distribuição.

publicado por concorrenciaperfeita às 07:09
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