Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

Uma saída para a crise

A lista das dez empresas que mais investem em inovação revela, para os mais distraídos, que nem tudo está perdido e que a crise económica e financeira não é uma fatalidade. Para variar, e a poucas horas do que vai ser provavelmente a maior greve geral da história recente do País, vale a pena dar uma boa notícia.

No conjunto, as empresas portuguesas - ou estrangeiras a operar em Portugal - aumentaram o investimento em I&D em cerca de 10% entre 2008 e 2009 e já vale cerca de 1,7% da riqueza criada em cada ano, leia-se o Produto Interno Bruto (PIB). Os números são animadores por várias razões: não há exportação sustentável sem inovação, não há crescimento económico sem exportação, não há economia sem crescimento económico. 

Este é um dos casos em que vale a pena citar, uma a uma e em 'caixa alta', as empresas que mais investem em investigação e desenvolvimento, até porque, reconheço a nossa responsabilidade, a dos jornais e dos meios de comunicação social em geral, este tema é, muitas vezes, mal-tratado e menorizado: PT, BCP, EDP, BIAL, ISBAN, SANTANDER TOTTA, UNICER, SONAE E AUTOEUROPA lideram um ranking, cada vez maior, que também explica a surpreendente capacidade exportadora da economia nacional. Há dias, Zeinal Bava, dizia numa conferência de imprensa, que o futuro de uma empresa assenta em três pilares, a inovação, a execução operacional e a internacionalização. Sem o primeiro pilar, o da investigação e desenvolvimento, dificilmente os outros dois poderão sustentar o crescimento.

Precisamente no momento em que o País atravessa uma crise grave - e quando ainda não é claro se escaparemos à mão visível do Fundo Monetário Internacional - é justo reconhecer a influência do Plano Tecnológico neste comportamento das empresas. Não necessariamente por causa do computador Magalhães, aliás, a face visível dos excessos políticos de José Sócrates nesta matéria, mas porque a ideia, o conceito, de tão repetido, passou para as empresas.

O Plano Tecnológico está esgotado, precisa de mudar de figurino, de modelo de desenvolvimento e de objectivos. O Plano Tecnológico deve ser, sobretudo, uma agenda para a sociedade e para as empresas, deve funcionar sobretudo como um incentivador dos investimentos das empresas e das universidades, porque cabe sobretudo a elas o desenvolvimento e a inovação. O Plano Tecnológico deve deixar cair este modelo de distribuição de dinheiro 'fácil' e selectivo, porque o Estado não selecciona bem. O Plano Tecnológico deve ser um enunciado, simples, curto e claro, de objectivos, e não um relatório de mil páginas sobre o que as empresas devem fazer. Mas o Plano Tecnológico deve manter-se.

publicado por concorrenciaperfeita às 01:00
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