Segunda-feira, 9 de Dezembro de 2013

Banco de fomento ganha o benefício da dúvida

 

O Governo escolheu finalmente a equipa que vai liderar a criação do banco de fomento, com a nomeação de um gestor bancário para a comissão instaladora, e pôs um ponto final a um processo que começava a confirmar os piores receios de partidarização de uma instituição que vai ter mais de três mil milhões de euros para gerir a partir de Junho de 2014.

O banco de fomento é daquelas ideias perfeitas no papel, mas que tem tudo para dar errado, por vários motivos, até de organização institucional. O Governo defende a criação de uma nova instituição financeira para gerir os fundos estruturais que estão hoje espalhados por várias agências públicas e por um número ainda maior de programas financeiros. Percebe-se: vem aí um novo quadro comunitário e, desta vez, será mesmo a última oportunidade que o País tem de aproveitar o envelope financeiro negociado para 2014-2020. Ainda por cima, num momento em que Portugal estava sob intervenção externa, ou seja, os fundos que tivemos à nossa disposição não foram usados da melhor forma.

Quando o actual ministro, Pires de Lima, entrou em funções, também subscreveu este projecto, mas, ao contrário do que estava em cima da mesa, o banco de fomento - ou de desenvolvimento, veremos - tem mesmo uma licença bancária, estará sob a supervisão do Banco de Portugal, embora o Governo assegure que não vai captar depósitos e, por isso, não será concorrente da banca comercial, a pública e a privada.

O Governo entendeu que a Caixa Geral de Depósitos não servia os propósitos de gestão dos programas comunitários, coisa difícil de perceber, e decidiu, assim, criar um novo banco público. Socorre-se dos exemplos internacionais, nomeadamente do alemão KfW, para justificar esta opção, mas, na verdade, revela uma desconfiança na actual CGD e no seu modelo institucional. E acaba, assim, por abrir a porta, a prazo, à sua privatização, total ou parcial, um desejo inconfessável de Pedro Passos Coelho.

É ainda difícil perceber de que forma esta nova instituição vai relacionar-se com os outros bancos, e que incentivos eles terão para promover as suas linhas de financiamento e de capitalização, em concorrência com as que estão hoje disponíveis. Ainda para mais quando não há, propriamente, problemas de liquidez ou de falta de meios para o financiamento das empresas. Faltarão outras coisas, desde logo projectos de investimento que passem o crivo da avaliação de risco da banca, hoje mais apertado do que nunca.

A notícia, não desmentida, do convite a Rui Rio levava a discussão do banco de fomento precisamente para o pior dos lugares. Quando todos, ou quase todos, desconfiam das motivações do Governo para criar um novo banco público, quando já todos pensam em eleições, eis que o nome que surge é o de um político. E mesmo sendo Rio, que já demonstrou no exercício das suas funções políticas que não seria um gestor de favores, era o perfil de presidente que o Banco de Fomento não deveria ter. Agora e no futuro.

A escolha de Paulo de Azevedo, um gestor bancário, desconhecido dos jornais, mas conhecido dos empresários, é, neste contexto, a melhor das notícias. Não só para liderar a comissão instaladora, mas, sobretudo, para ser o presidente executivo do novo banco. Quando se temia o pior, surgiu o melhor, um presidente que fez a sua vida na banca - no BCP - e na área empresarial, sem dependências políticas. Justifica, pela escolha, o benefício da dúvida.

 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 07:00
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