Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2013

A ‘troika’ vai continuar a mandar

 

A Irlanda termina no próximo domingo, formalmente, o programa de ajustamento negociado com a ‘troika’, e decidiu dispensar o apoio de um programa cautelar para regressar aos mercados, mas na segunda-feira, o governo irlandês tem já um trabalho de casa para fazer: o plano de ajustamento pós-‘troika’ e a redução do défice e da dívida pública.

A presença da ‘troika’ nos países intervencionados é vista como uma espécie de invasão estrangeira, contra a vontade dos próprios países. E, verdade seja dita, a forma como os responsáveis técnicos das três instituições que integram a ‘troika’ vão gerindo as sucessivas avaliações do ponto de vista político e as suas declarações públicas não ajudam. Já bastariam os programas de ajustamento. Além disso, a linguagem de protectorado usada pelos próprios governos, de que Paulo Portas é, em Portugal, o principal patrocinador, tem, sobretudo, o objectivo de capitalizar politicamente o fim dos programas, e também contribui para uma imagem muito negativa da ‘troika’.

É, por isso, que as datas de fim dos programas de ajustamento são antecipadas como festas que merecem ser celebradas. Depois do inferno, da ‘troika’, o céu, dos governos nacionais. Nenhuma das duas é verdadeira.

A ‘troika’, na Irlanda como em Portugal, desejavelmente depois de Junho de 2014, vai continuar a monitorizar os programas de ajustamento económico e financeiro dos países e das respectivas economias. Provavelmente, mais do que nunca, embora sem as visitas formais e regulares que se traduzem no programa de avaliações.

A ‘troika’ é um credor muito relevante dos países intervencionados e, desde logo por essa razão, quer garantir que receberá o capital e juros dos empréstimos que foram pedidos, sem os quais, diga-se de passagem, os países intervencionados entrariam em ‘default’. Depois, no caso das instituições europeias, a Comissão e o BCE, porque o processo de aprofundamento da integração económica exigirá, sempre, mais controlo externo, perda de poderes nacionais para uns, partilha de soberania para outros. Finalmente, porque quer na Irlanda, quer em Portugal, os desequilíbrios económicos e financeiros não acabam no dia em que terminam os programas.

Os programas, quando correm bem, são um passaporte para um financiamento normalizado dos países e dos seus sistemas financeiros. O resto, continuará a ter de ser feito. Na Irlanda, a partir de segunda-feira, em Portugal a partir de Julho de 2014.

PS: O Governo e o PS não foram capazes de chegar a um acordo sobre a reforma do IRC. Vamos ser confrontados, nos próximos dias, com acusações mútuas sobre as responsabilidades de cada um dos lados no falhanço das negociações, será daqueles diálogos de surdos em que todos vão ter ‘a sua’ razão. António José Seguro tinha mais a perder com um acordo, o Governo tinha mais a ganhar, o País sairia vencedor. Acabamos com uma reforma politicamente ‘coxa’, sem um apoio parlamentar alargado. É melhor do que nada, é melhor do que o que existe hoje, mas não garante a previsibilidade tão necessária para convencer os gestores e empresários nacionais e estrangeiros de que o plano vai manter-se quando entrar um novo Governo em funções. Pior, a partir daqui, não haverá hipótese de qualquer outro compromisso político.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:38
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds