Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014

A austeridade serviu para alguma coisa

 

No ano dos dois ministros das Finanças e de três orçamentos, o défice público de 2013 ultrapassou as melhores expectativas, não só da 'troika', não só dos mercados, mas do próprio Governo que, ainda em Outubro, admitia precisar de um perdão fiscal e de uma receita de 700 milhões de euros para cumprir a meta de défice de 5,5% negociada com os credores. A austeridade, afinal, serviu para alguma coisa.

No dia em que Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque podem, justamente, capitalizar os resultados da execução orçamental e um défice, para efeitos do acordo com a 'troika', de 4,4% da riqueza criada no País, é necessário regressar a Abril de 2013 e ao primeiro orçamento rectificativo do ano. Vítor Gaspar tinha de responder aos chumbos do Tribunal Constitucional e apresentou um Rectificativo que, analisado com a informação desta semana, era muito conservador, ou pessimista. Na evolução da economia, nas perspectivas da taxa de desemprego, na cobrança fiscal. Depois de já ter revisto a meta de défice de 3% para 4,5%, Gaspar negociou os 5,5% com a 'troika'. As sucessivas negociações, de que o PS tanto gosta, garantiram uma folga que, agora, é aproveitada pela sua sucessora.

No meio de tantos valores de défice, que só servem para confundir, há uma certeza. Portugal ultrapassou os objectivos, qualquer que seja a medida de cálculo usada, e não só por causa dos efeitos extraordinários, como o plano especial de pagamento de dívidas. A despesa manteve-se controlada e os portugueses aguentaram, com custos sociais, é certo, o 'enorme aumento de impostos', que tem a marca indelével de Gaspar, e até tiveram estofo para regressar a um padrão de consumo no último trimestre do ano que já não se via desde 2008, o ano da crise. Sim, a exuberância irracional não é apenas característica dos mercados e dos investidores. 

O Governo parte, agora, para o ano de todos os riscos com uma almofada orçamental de mais de mil milhões de euros, o melhor trunfo para negociar uma saída do programa de ajustamento, e já beneficiou dos elogios europeus. Toda a gente quer ter mais um sucesso à irlandesa, mas os riscos não desapareceram. O copo não está meio-vazio, mas está apenas meio-cheio, e a redução do défice público para 4% este ano, e para 2,5% em 2015, continua a ser difícil, para não dizer outra coisa. E o crescimento económico esta ainda longe do necessário para garantir a sustentabilidade da dívida pública.

Pedro Passos Coelho vai jogar tudo numa saída limpa, quer arriscar uma nova vida sem o protectorado, e vai vender essa bandeira nas eleições europeias, dias depois do fim do programa. É por isso que esta é a melhor das notícias, mas comporta o maior dos riscos. Porque a política, muitas vezes destrói valor, especialmente quando se aproximam ciclos eleitorais.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 07:00
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