Quinta-feira, 20 de Março de 2014

A palavra de Cavaco

 

Cavaco Silva pediu a Pedro Passos Coelho e a António José Seguro para evitarem que uma má campanha eleitoral nos próximos dois meses prejudique um bom consenso no próximo ano e meio. Coerente, o Presidente da República deixa saber que não vai desistir assim tão facilmente da pressão para um acordo político. Não foi agora, será depois, é uma fatalidade.

Depois da tensão política dos últimos dias, de mais uma tentativa falhada de compromisso entre o Governo e o PS para prepararem a saída da 'troika' e, mais importante ainda, o pós-troika, a comunicação de Cavaco ao País era aguardada com expectativa. E uma leitura mais apressada dos cerca de sete minutos de comunicação poderia levar a desvalorizar a iniciativa, a reduzi-la a um anúncio formal de marcação da data de 25 de Maio para as europeias. Foi mais do que isso.

O apelo ao voto, o pedido de uma campanha eleitoral informada e esclarecedora, a exigência de um debate de propostas e não de conflitos não surpreende. Cavaco Silva sabe, e tem-no dito por diversas vezes, de forma directa ou indirecta, que as próximas eleições europeias serão das mais relevantes para o nosso futuro colectivo e, também por causa do programa de ajustamento, serão um plebiscito à relação do País com a Europa. Num ano, acrescente-se, em que muda o Parlamento Europeu, a Comissão Europeia e o próprio presidente do Conselho.

Os temas que vão marcar a Europa nos próximos anos terão, mais do que nunca, impacto em Portugal, por várias razões, mas por uma em particular: a crise financeira internacional, a crise na zona euro e a de alguns dos próprios Estados-membros confrontou as instituições europeias com as suas próprias dificuldades e incoerências, políticas e também económicas. As respostas têm sido lentas - veja-se o caso da União Bancária -, a Alemanha resiste, e cede às vezes tarde, porque quer, também razoavelmente, compromissos dos outros países, como Portugal. A exigência tem passado, também, por obrigar os parlamentos nacionais a incorporarem muitas das decisões comunitárias na sua própria legislação interna, a 'nacionalização' de processos e decisões obriga os Governos a discutirem internamente o que, antes, era apenas debatido em Bruxelas. E em Berlim.

No caso português, o fim do programa de ajustamento coincide com as europeias - há uma diferença de meia dúzia de dias - uma mistura explosiva que não facilita um entendimento, ou melhor, impede-o mesmo. Pedro Passos Coelho já percebeu que vai ter de fechar, sozinho, o modelo de saída do programa, vai ter de demonstrar, interna e sobretudo externamente, que tem condições para mostrar uma saída limpa, mas acima de tudo credível. E tudo poderá mudar num instante do ponto de vista político se as europeias revelarem um resultado desequilibrado para o lado de António José Seguro.

O Presidente, com este comunicado, deixa tudo em aberto, deixa sobretudo em aberto a sua margem de manobra e de intervenção logo após as europeias.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:37
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