Terça-feira, 21 de Janeiro de 2014

A sorte dá trabalho

 

Pedro Passos Coelho já manietou Paulo Portas, apesar das fotografias em mangas de camisa, já encostou António José Seguro, que tenta resistir ao caminho de François Hollande, e a vida corre-lhe tão bem que até já afastou Marcelo Rebelo de Sousa das presidenciais sem sequer ter proferido o seu nome. Temos político?

O episódio de Marcelo Rebelo de Sousa é de antologia. O primeiro-ministro está tão confiante em relação ao que vai suceder nos próximos dois anos, suportado por um ambiente económico e de mercado favoráveis, que até se dá ao luxo de definir, já, o perfil do candidato do PSD a Belém. Sobretudo, do que não quer, apesar de ser o terceiro acto eleitoral, e presumivelmente o último, deste novo ciclo político.

Passos nunca citou o nome de Marcelo, o comentador caiu como um ingénuo na sua própria ratoeira, a do espectáculo mediático e popular. O que escreveu, afinal, o presidente do PSD na sua moção de estratégia para mais um mandato para o partido? "O Presidente deve comportar-se mais como um árbitro ou moderador (…), evitando tornar-se num cata-vento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político. Não podendo eximir-se da crítica, não deve buscar a popularidade fácil". Não falou em Marcelo, nem era preciso. Ontem, perante a resposta do comentador-candidato, eleva o cinismo político, uma arte, ao expoente máximo: "Estou bastante surpreendido com essa reacção que foi expressa pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa. E estou sinceramente".

O primeiro-ministro que se fez político na 'jota' social-democrata e ganhou uma carta de alforria depois da crise de Julho está a aproveitar os ventos de feição que sopram desde há algumas semanas, alguns dos quais externos à sua própria acção. A sorte dá trabalho. Portugal regressou aos mercados, os juros da dívida descem, o plano B alternativo ao chumbo do Tribunal Constitucional já tem a aprovação da 'troika', o défice público de 2013 ultrapassou as suas melhores expectativas, o cenário macroeconómico vai ser revisto favoravelmente, quer no crescimento económico, quer no desemprego. A confiança regressou quase sem darmos por ela, até inexplicavelmente.

O País não mudou assim tanto de Dezembro de 2013 para Janeiro de 2014, os problemas estruturais continuam bem presentes, a saúde a educação estão num alvoroço e a mudança de perfil económico do País está, no mínimo, por provar. Além disso, continua a pesar sobre os portugueses uma dívida pública que aumentou nos últimos três anos e que, segundo as novas regras estatísticas da Europa, vai sofrer um novo agravamento com a contabilização de contas de empresas públicas que estavam fora do Orçamento do Estado. E as exigências para os anos seguintes - da 'troika' e dos mercados - não vão suavizar-se.

Pedro Passos Coelho perdeu as autárquicas, mas o primeiro grande teste à sua liderança são as europeias. Serão as eleições de avaliação dos programas de ajustamento e da sua capacidade de liderança, por isso, os excessos de confiança podem ser fatais.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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