Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014

A verdade incómoda

 

Miguel Frasquilho juntou-se a António Pires de Lima e, cerca de três meses depois, confessou o que deveria ser claro para todos, isto é, o programa cautelar é a melhor das soluções para Portugal no pós-troika, isto se a Europa deixar e os interesses partidários internos não se sobrepuserem ao interesse do País.

A discussão sobre a forma como Portugal poderá sair do programa de ajustamento tornou-se um tema-tabu, e por razões desde logo externas: a Irlanda, sim, a Irlanda, queria um cautelar, mas a chanceler Angela Merkel esteve indisponível para levar para a discussão política interna da Alemanha mais uma ajuda, ainda por cima a um país que não está propriamente na cauda da Europa em termos de riqueza por habitante. O governo irlandês virou o 'bico ao prego' e anunciou uma saída limpa, tornando ainda mais difícil a vida de Portugal. A mistificação de António José Seguro - que agarrou a ideia de um novo programa como uma tábua de salvação política - fez o resto. E o resto será a história dos incentivos políticos que nos conduzirão a uma 'saída limpa', mas precária e arriscada, porque o mercado dos eleitores é mais forte do que o mercado dos investidores. Ainda e se não houver percalços. Depois não acusem os mercados por não emprestarem a Portugal.

Portugal já está pré-financiado para os próximos doze meses, é certo, mas tendo em conta o nível actual dos juros das obrigações a dez anos, qualquer risco, e eles estão aí, poderá pôr tudo a perder. Se não houver  programa cautelar.

A discussão política interna está cheia de contradições, mas as palavras do deputado social-democrata Miguel Frasquilho são de elementar bom senso, apesar de ter corrigido o tiro, horas depois, como aliás já tinha feito o ministro da Economia em Londres. Porque foi obrigado a isso, porque o Governo e o PSD não podem ter opinião. Se as condições, exigidas pelos credores, forem aceitáveis, o programa cautelar é a melhor solução. Mesmo tendo em conta a necessidade de um novo acordo, que exigirá mais cortes. Mas alguém considera que está tudo feito e que, se não houver um contrato com a Europa, poderemos voltar a gastar o que não temos? Haverá sempre cortes, porque continuamos a depender de terceiros para financiar o défice, porque não temos saldos primários positivos, porque o crescimento económico só permitirá esses saldos a partir de 2016, se tudo correr como o previsto. Porque temos de começar a reduzir a dívida pública.

É por causa disto, e de outras contradições, que o Governo deveria deixar de falar na possibilidade de corte de impostos em 2015, ano eleitoral, não é sério, nem razoável, mais ainda se, como o PS advoga, não se verificar um novo corte de despesa pública, de forma definitiva, e estrutural. Pedro Passos Coelho já percebeu que não pode deixar o partido e Paulo Portas à solta, menos ainda António José Seguro. E isso só será possível com um programa cautelar.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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