Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

Análises de research com contra-indicações

 

As análises de 'research' internacionais sobre a situação económica e financeira de Portugal e o pós-'troika' têm de começar a ser lidas à luz de contra-indicações, isto é, tendo em linha de conta a exposição destas casa de investimento, sejam bancos ou fundos, à dívida pública portuguesa. É assim que se explica que Portugal esteja, por estes dias, entre a falência e o milagre económico nos relatórios divulgados nos últimos dias.

Portugal já foi um dos maiores riscos para a sobrevivência do euro, já esteve entre a Irlanda e a Grécia, já balançou entre o segundo resgate e uma saída limpa do programa de ajustamento. E há razões, umas melhores do que as outras, para se perceber esta evolução ao longo do último ano, mas o que está a suceder nos últimos dias eleva o problema a outra escala.

Quando o IGCP consegue regressar ao mercado com uma emissão de Obrigações do Tesouro a cinco anos, a 4,675%, o penúltimo passo para o acesso a um programa cautelar, surge uma análise de um 'hedge fund' - o Tortus Capital - que antecipa a desgraça. E, no dia seguinte, um banco alemão - o Commerzbank - identifica o País como o verdadeiro milagre económico da Península Ibérica. Qual é a verdade? Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, Portugal está, agora, numa fase cautelosa, melhor do que há um ano, ainda longe de estar livre de perigo.

O problema, neste tipo de análise, não é o dos investidores especializados, que têm acesso a informação e capacidade técnica para analisarem e decidirem por si, o problema é outro. É a desconfiança ou confiança que pretendem gerar. Felizmente para o Governo, e para o País, as más notícias económicas e financeiras não estão a passar, mesmo quando são verdadeiras ou pelo menos fundadas em riscos reais. Os portugueses cansaram-se de más notícias, querem esperança, e a comunicação social, valha a verdade, também. Ficam as boas, as positivas.

Pedro Passos Coelho está a viver uma espécie de segundo estado de graça junto dos investidores - onde anda António José Seguro? - o mercado já se esqueceu dos chumbos dos juízes do Palácio Ratton e até o Governo baixou o nível de dramatização associado à exigência de um Plano B. Os mercados entraram em 2014 com um 'mood' positivo. 

Sobra outro problema, mais fundo. A dificuldade em avaliar o sentido destas análises - e a forma despudorada como começam a ser justificadas - põe em causa um princípio das 'chinese walls' e torna necessária a intervenção dos reguladores.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:17
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