Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

Bruxelas joga pelo seguro...

 

A Comissão Europeia e os ministros das Finanças do euro vão jogar ao jogo do gato e do rato com o Governo português até ao próximo dia 17 de Maio em torno do programa cautelar. Quase três anos de ajustamento depois, a Europa está, no mínimo, desconfiada sobre o que aí vem e prefere jogar pelo seguro…

Pedro Passos Coelho não se pode queixar do apoio dos líderes europeus, particularmente nas últimas semanas, com os elogios ao desempenho do Governo e ao caminho feito no processo de ajustamento. Ainda recentemente, o comissário Olli Rehn recordou a passividade de Teixeira dos Santos em meados de 2010, quando entendia que Portugal deveria recorrer a um resgate, mas esqueceu, claro, as suas próprias omissões. Nesta fase, são apoios explícitos ao Governo, e tornam ainda mais difícil a vida de António José Seguro na tentativa, muitas vezes, frustrada, de mostrar uma estratégia alternativa.

No entanto, a discussão sobre a necessidade de um programa cautelar pode mudar este estado das coisas. Não, o Cautelar não é um segundo resgate, mesmo que venha a ser uma versão mais agressiva, mas como ninguém consegue explicar a diferença - mérito, aqui, do PS e demérito do Governo, que começou por estigmatizar esta saída do programa - Passos vai fazer tudo para ter uma 'saída limpa'. E, por isto, será uma decisão sobretudo política, mas arriscada, mesmo tendo em conta que o Governo já tem assegurado o financiamento do Estado para 2014 e está a amealhar para 2015.

O primeiro-ministro sabe que a prudência aconselharia Portugal a garantir uma rede de segurança mínima, mesmo que seja possível uma normalização no regresso aos mercados nas próximas semanas. Porquê? Porque os mercados são instáveis, primeiro, porque a realidade portuguesa e as suas dificuldades são muito diferentes das irlandesas, depois. E, finalmente, porque vamos entrar num período pré-eleitoral longo, com três eleições até Janeiro de 2016. Passos dizia "que se lixem as eleições", agora o risco é que a promessa mude para "que se lixe o ajustamento", tendo em conta o discurso do Governo, mas também, e sobretudo, da Oposição.

Bruxelas percebe os riscos que se apresentam e fará tudo para obrigar o Governo a assinar um programa cautelar. Foi o comissário europeu, foi o ministro das Finanças francês, foi ontem o presidente, holandês, do Eurogrupo. É, claro, a condição para manter um controlo apertado das opções do Governo sem as 'tradicionais' visitas trimestrais da 'troika' a Lisboa. Faz bem, porque a natureza dos partidos, dos que estão no Governo e dos que querem ser Governo, é ganhar eleições.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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