Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014

O fim de um tabu

 

 

Quando a China Three Gorges (CTG) entrou no capital da EDP, em Dezembro de 2011, António Mexia estava, dizia-se, com um pé fora da companhia, agora, quando o fim do actual mandato ainda vem longe, o presidente do grupo chinês diz, sem ambiguidades, que quer manter a actual equipa de gestão a partir de 2015 e põe fim a um tabu, a uma discussão que poderia pôr em causa a estabilidade da empresa.

A discussão sobre a continuidade de António Mexia na EDP parece extemporânea, mas só para quem não acompanhou os últimos meses dos corredores do poder em Lisboa. Mexia não era, provavelmente não é, o gestor preferido de Pedro Passos Coelho, mas a sua saída por ocasião da decisão do Governo de vender 21,35% de capital da empresa aos chineses teria sido um erro crasso, não só pelos resultados que apresentou, mas pelo barulho que geraria tal decisão. A CTG decidiu, e bem, manter o líder e 'contratar' alguns gestores de confiança. Mas o ruído, na verdade, nunca desapareceu.

Os resultados da EDP, esses, continuaram a aparecer, e esse só pode ser o critério para quem paga 2,7 mil milhões de euros por pouco mais de 21% do capital de uma empresa. António Mexia foi capaz de aproveitar o que de melhor os chineses traziam à empresa, a capacidade financeira para diminuir os riscos financeiros associados a uma estratégia de crescimento e expansão que obrigou a um endividamento elevado e que se tornou de risco com a situação explosiva dos mercados desde 2009. Pelo meio, a discussão sobre a sucessão no Grupo Espírito Santo a Ricardo Salgado acabou por pôr António Mexia, que já passou pelo banco de investimento do grupo, na lista de potenciais candidatos.

Perante estas notícias, a CTG teria uma de duas soluções. Se não dissesse nada, estaria a caucionar a ideia de que se preparava para avançar com mudanças na equipa de gestão no próximo mandato, com todos os riscos que isso comportaria, ainda mais a esta distância. O silêncio seria ensurdecedor, por isso, o presidente da empresa, Cao Guangjing, seguiu outro caminho, fez uma declaração de amor, a equipa é muito boa, e não há razões para a substituir. António Mexia tem, a partir de hoje, uma legitimidade reforçada.

Na semana em que o presidente da CTG está em Lisboa para conversar com o Governo - particularmente sobre a taxa extraordinária sobre a energia -, o presidente da EDP ganha um novo fôlego, já tem luz verde para reforçar no Brasil, manter nos EUA e até investir em Moçambique, e obriga os adversários, internos, alguns, e externos, muitos, a esperarem por melhores dias.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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