Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2014

O que falta saber no BES

 

O Banco Espírito Santo (BES) ainda não divulgou as contas de 2013, mas não só, ainda não indicou sequer uma data para a sua divulgação, um tabu que, em vez de tranquilizar, suscita dúvidas sobre a situação financeira do grupo e, sobretudo, das 'holdings' superiores que controlam o banco. Depois da ruptura entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, a próxima conferência de imprensa de resultados será a mais importante dos últimos anos. E tem de ser esclarecedora.

O Económico ensaiou, nesta edição, as 12 perguntas mais relevantes a que Ricardo Salgado tem de responder. Um trabalho de investigação do jornalista Filipe Alves que permite perceber o que têm sido os últimos meses na sede do banco na Avenida da Liberdade, os encontros com as autoridades reguladoras e os desencontros com o seu primo e presidente do banco de investimento, Ricciardi, oficialmente candidato à sucessão.

Do ponto de vista financeiro, os números que se conhecem indicam que o BES está a fazer o seu trabalho de casa, a vender activos para cobrir imparidades, a reforçar provisões e a aumentar os rácios de capital. A venda de parte do capital da ES Saúde é apenas um exemplo. E o banco vai aproveitar, claro, uma evolução da economia mais favorável para melhorar as contas em 2014. Os resultados de 2013 serão claramente negativos - tudo indica acima dos 500 milhões - mas o facto de ter uma maior exposição às empresas do que aos particulares poderá ser um ponto forte para melhorar a operação, a margem e o produto bancário.

Se há divisões públicas na família sobre a liderança - protagonizadas, é certo, num rosto apenas, o de Ricciardi - há uma união no objectivo de evitar a necessidade de recurso a fundos do Estado. E se os rácios se revelarem mais fortes, no banco e na Espírito Santo Financial Group (ESFG), será depois necessário esperar pela avaliação de activos e pelos testes de stress. Os 'Espíritos' juram que, mesmo assim, não vão precisar do Estado.

Já a situação financeira das 'holdings' parece mais complexa, está sob investigação do Banco de Portugal, que a vai confirmando implicitamente para mostrar que está a fazer o seu trabalho. Ricardo Salgado vai ter de explicar as operações de venda de papel comercial que serviram para financiar os aumentos de capital no banco, e tem de simplificar as estruturas de 'holdings' e reforçar os seus capitais, sem pôr em causa, no limite, o controlo da ESFG e o próprio BES. Ainda assim, com a informação disponível, é possível arriscar que, ao 'annus horribilis' de 2013 poderá suceder um 'annus mirabilis' de 2014.

Para o banco e não necessariamente para Ricardo Salgado. Das 12 questões, há uma que continua sem resposta: O processo de sucessão já arrancou formalmente? Oficialmente, é um não-tema, mas a profusão de notícias sobre o grupo nas últimas semanas deixa perceber que há uma paz de conveniência, e uma guerra surda.

Já não é a primeira vez que é decretado o fim de Ricardo Salgado no BES, mesmo quando foi chamado a depor em processos judiciais, mas, até agora, claramente prematuro. Salgado tem, ainda, nas suas mãos a última decisão, o poder de decidir, nos seus termos, como e quando deixará de ser presidente executivo e quem será o sucessor. E será tanto maior quanto maior for a sua capacidade de dar resposta às exigências do regulador e preparar o banco para o novo ciclo.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:57
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