Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014

O que ficou por dizer

 

Pedro Passos Coelho abriu o congresso do PSD melhor do que o fechou, soube 'vender' os números da economia, desvendou um segredo mal-guardado sobre a candidatura de Paulo Rangel ao Parlamento Europeu e saiu do Coliseu de Lisboa reforçado, até, pela maioria dos ex-líderes. Mas soube a pouco, para quem esperava mais sobre o que será o pós-troika.

O congresso que se anunciava sensaborão e sem histórias acabou por ser mais interessante e mais rico do que se esperava. Mérito de Pedro Passos Coelho, pelo 'timing' da realização deste congresso, interesse dos ex-líderes que não quiseram ficar na fotografia dos que criticam nas televisões mas não aparecem nos conclaves do partido e, em particular, da pré-corrida às presidenciais, que levou Marcelo Rebelo de Sousa a confirmar-se como o 'one man show' da política portuguesa.

Na sexta-feira, Passos Coelho conseguiu ser eficaz nas explicações sobre o processo de ajustamento, na evolução dos indicadores macroeconómicos (leia o 'fact checking' da jornalista Marta Moitinho Oliveira nesta edição), afirmou que o País está melhor, e está, mas reconheceu que muitos ficam para trás, que o desemprego continua a ser um problema. E é justo reconhecer que, nos três dias de congresso, conseguiu conter a euforia que latejava pelas cadeiras do Coliseu, como se o País estivesse a viver no oásis. Não está, e Santana Lopes, na pele de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, fez questão de trazer o partido, e os congressistas, à terra.

Esperava-se que o discurso de encerramento revelasse mais do que já se sabia, uma agenda clara, e concreta, do que será a segunda parte da legislatura. Até para responder a Paulo Portas, que pôs na agenda a descida do IRS e o salário mínimo já para 2015. Não só sobre a necessidade de consenso com o PS de António José Seguro, mas sobretudo sobre a acção do Governo, porque os pactos de regime vão ter de esperar por melhores dias, isto é, depois das eleições legislativas. Mas Passos adiantou muito pouco.

Nem se pode dizer que Pedro Passos Coelho tenha sido eleitoralista, fez até jus à tese de Marcelo de que gosta de dar más notícias, por contraponto com Paulo Portas, que prefere vender os milagres económicos. Disse, aos congressistas e ao País, que o que aí vem será igualmente difícil, e reconheceu que é necessário fazer mais do que foi feito - muito pouco, diga-se de passagem - na reforma do Estado. Ficou, então, a principal notícia de que as mudanças no Estado, presume-se no sistema de pensões e na Função Pública, tem de avançar mais rapidamente, ainda nesta legislatura. É pouco. Exige-se mais.

Face às novas exigências que se anunciam, e que Pedro Passos Coelho nunca escondeu, esforçou-se por não transformar o congresso num puro comício. Os congressos que deixaram de ser electivos passaram a ser, mais do que nunca, comícios, e este por maioria de razão, suportado em resultados económicos animadores. Depois de quase três anos a sofrer na defesa do Governo, os militantes do PSD tinham, finalmente, a possibilidade de sorrir, na sua zona de conforto, uma sala repleta de social-democratas. Mas, apesar disso, teremos de continuar à espera de 17 de Maio, do fim do programa, e do novo caderno de encargos que, necessariamente, vai ser adoptado. E, já agora, que seja pelo Governo, e não por imposição externa.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:07
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