Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014

O relógio de Seguro

 

 

António José Seguro jogou o seu futuro político na forma como Portugal vai sair do programa de ajustamento, mas está agora num beco sem saída e só uma vitória clara nas eleições europeias do próximo dia 25 de Maio poderá levá-lo a ser o candidato socialista às legislativas de 2015.

O líder do PS não estava no Governo quando José Sócrates e Teixeira dos Santos pediram ajuda à 'troika', não esteve a executar o programa de ajustamento nos últimos três anos, mas está longe de ser uma alternativa a Pedro Passos Coelho, a começar no interior do seu próprio partido, como ficou claro das palavras de Ferro Rodrigues, que exige uma vitória clara nas europeias. Sim, depois de tudo que se passou, não está garantida.

António José Seguro teria, sempre, uma enorme dificuldade em fazer oposição quando foi o PS a levar o País para os braços da 'troika', e quando negociou o memorando de entendimento. E, justiça lhe seja feita, a ruptura política foi cavada por Pedro Passos Coelho, Seguro 'resistiu' até onde pode, e onde os históricos do partido deixaram. Foram estes que o levaram a cometer o primeiro erro político, ao apresentar uma moção de censura e pedir eleições antecipadas. E foram também estes a contribuírem para não ter aproveitado o novo calendário político do Presidente. A partir daí, foi sempre a perder, mesmo tendo em conta as autárquicas, de quem já ninguém se lembra, num caminho inverso ao de Passos Coelho.

Agora, perante o desafio do primeiro-ministro, que não é mais do que um 'abraço de urso', como aqui escrevi esta semana, Seguro não tem por onde fugir. O líder do PS vai recusar qualquer entendimento, mas já é possível antecipar o guião dos próximos meses e o discurso de Passos Coelho. Se falhar a saída à irlandesa, que continua a ser o plano mais racional, o primeiro-ministro vai responsabilizar o líder do PS. Claro, se Seguro assinasse um compromisso, que ainda por cima já defendeu, fica definitivamente nas mãos do Governo, e assina também a sua sentença de morte dentro do próprio partido.

E agora? Seguro está amarrado à realidade e nem o contexto europeu parece agora favorável a um discurso alternativo ao do Governo, como se percebe, por exemplo, da capitulação de François Hollande em França. Enquanto Pedro Passos Coelho entretém o partido com as presidenciais e a rábula de Marcelo Rebelo de Sousa, dentro de dois anos, António José Seguro tem de apostar tudo nas europeias, dentro de quatro meses e dias depois de o Governo acabar o programa de ajustamento. Não é apenas Paulo Portas que tem um relógio em sistema de 'countdown'. 

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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