Quarta-feira, 26 de Março de 2014

Salgado recupera a esperança

 

O Banco de Portugal obrigou o Grupo Espírito Santo (GES) a fazer uma provisão de 700 milhões de euros na Espírito Santo Financial Group, a holding que controla o BES e a seguradora Tranquilidade. Para garantir que não há risco de contaminação entre as contas da área não financeira e a não-financeira, mas sobretudo para forçar uma nova governação no grupo.

A história conta-se num parágrafo: a área não financeira do grupo recorreu a financiamentos de um fundo de liquidez do próprio universo financeiro a que pertence porque, com a crise da dívida soberana e o pedido de resgate, muitos dos que até então a financiavam, bancos estrangeiros, fugiram dos activos portugueses. A solução à mão de semear era este fundo, que tinha uma concentração excessiva de créditos a essa área não-financeira. A decisão da CMVM obrigou aquele fundo a diminuir a sua exposição e, em alternativa, o grupo decidiu vender papel comercial aos balcões do BES. Mas, na sequência de auditorias ao sistema financeiro por parte da Price e da KPMG, o Banco de Portugal decidiu pedir à segunda uma auditoria aprofundada às holdings não-financeiras do grupo, particularmente à ES International. É desta análise que surge a decisão de obrigar o grupo a fazer uma provisão - recuperável, portanto - e não uma imparidade na ESFG. E mais, a separação entre as duas áreas tem de ser mais profunda, para acabar com os conflitos de interesse e os riscos que daí decorrem, quer ao nível da independência de órgãos sociais, quer de compliance, quer até das marcas.

A decisão do governador Carlos Costa - inédita - é até uma ajuda para o GES. Historicamente, o grupo sempre teve participações fortes nas áreas financeira e não financeira, mas, nos dias de hoje, esse modelo está ultrapassado. Acabou. Não haverá maneira de sair, de um dia para o outro, das áreas industriais, turísticas ou até de construção, mas esse caminho tem de ser feito. Por convicção e por necessidade, de realizar dinheiro fresco pra diminuir a alavancagem financeira. E o BES, esse, deve concentrar-se no que faz melhor, e melhor do que os outros, o financiamento às empresas.

Com esta provisão de 700 milhões de euros, o supervisor fez o que tinha a fazer, não lavou as mãos da sua responsabilidade, como sucedeu em outros momentos da história recente do País, com outro governador e com outros bancos, o BES fica melhor e os seus clientes também. E mais preparado para os testes de stress que serão realizados durante este ano.

E Ricardo Salgado promete, para 2014, um ano de viragem. Aproxima-se a Assembleia Geral do BES, o processo de sucessão está adormecido, mas não desapareceu da agenda, e o presidente do grupo tem resolvido, passo a passo, os problemas que são identificados, pessoais e do próprio grupo. A provisão de 700 milhões e o mais do que previsível aumento de capital da ESFG revelam o passado, mas poderão garantir o futuro se, entretanto, não surgirem outras revelações, particularmente do relatório definitivo da KPMG. Para já, Salgado recuperou a esperança.

 

Há petróleo no Beato

 

Luís Montenegro afirmou, no final das jornadas parlamentares do PSD, que não haverá novos cortes nos salários dos funcionários públicos e nas pensões em 2015. Eis uma notícia positiva, e que cria esperança, mesmo sem o patrocínio do BES, se não fosse o caso de ser uma mentira. Ou, então, o líder parlamentar dos social-democratas sabe mais do que qualquer um de nós, e do que a própria ministra das Finanças, sabe que há petróleo no Beato. Palavra de Montenegro.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:40
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