Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014

Ulrich quer voltar a ser 100% privado

 

Fernando Ulrich quer garantir a saída do Estado do capital do banco tão depressa quanto possível, ao ponto de ser obrigado pelo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, a abrandar o ritmo do reembolso dos 1,5 mil milhões de euros de fundos públicos a que recorreu em 2012. Porque o empréstimo é pesado, mas sobretudo porque quer voltar a ser 100% 'privado'.

Há dois anos, quando o BPI recorreu à linha de recapitalização criada no âmbito do acordo com a 'troika', Ulrich anunciou que faria o possível para antecipar os calendários negociados com as Finanças. À situação accionista interna - leia-se a convivência de dois accionistas, Isabel dos Santos e La Caixa, com características muito diferentes - juntava-se a presença do Estado na administração, uma 'troika' difícil de gerir, desde logo por razões reputacionais. O recurso ao Estado era a evidência do que tinha falhado nos anos anteriores.

Justiça seja feita, o BPI cumpriu o que prometeu, e até excedeu as expectativas. Por decisão de Ulrich, por vontade dos accionistas de referência, ou por consenso das duas partes, está a acelerar o reembolso ao Estado, por comparação, por exemplo, com o BCP que ainda não começou este processo. E, depois do pagamento de mais 500 milhões de euros - uma imposição de Carlos Costa face à proposta inicial de 588 milhões -, ficarão por liquidar apenas 420 milhões de euros.

A 'obsessão' de Ulrich resulta do peso que têm os juros deste empréstimo nos resultados, só em 2103 foram 85 milhões de euros, mas serve, sobretudo, para confirmar uma desconfiança: gerir de mãos dadas com o Estado, mesmo quando este tem, na teoria, o estatuto de 'sleeping partner', limita fortemente a autonomia e a independência dos gestores. Mas o 'conselho' do governador do Banco de Portugal para suavizar o ritmo dos reembolsos prestacionais também mostra que o ano de 2014 vai continuar a exigir cuidados na banca face à avaliação da qualidade dos activos e aos testes de stress que vão ser realizados nos próximos meses.

 

Falidos, mas cultos

 

Não sou dos que advoga a populista tese defendida, em tempos, por Durão Barroso segundo a qual não deveríamos investir em mais obras públicas enquanto estiver uma criança a morrer de fome, mas a recente obsessão pela colecção de quadros de Miró é no mínimo surpreendente. O que seria dito se o secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier, anunciasse que o Estado iria fazer uma licitação de 36 milhões de euros por 85 quadros do pintor espanhol num leilão em Londres?

publicado por concorrenciaperfeita às 08:53
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