Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014

Voar tem riscos

 

A privatização da TAP pode voltar a levantar voo em 2014, mas o Governo vai ter de assumir, neste dossiê, o que ainda não está preparado para fazer, isto é, o risco de decidir se quer mesmo avançar com a privatização da companhia aérea portuguesa sem a garantia de que classifica de 'ambiente competitivo' entre os potenciais concorrentes.

Ao contrário da RTP, cujo processo ficou mesmo encerrado na actual legislatura e, provavelmente, nas próximas, o Governo falhou a venda da TAP a German Eframovich, mas decidiu manter em aberto a possibilidade de voltar ao assunto. Desde o conselho de ministros que decidiu não vender a companhia aérea, em Dezembro de 2012, muita coisa mudou. As contas da companhia evoluíram favoravelmente - um mérito da gestão de Fernando Pinto - e a situação dos mercados também, o que abriu a possibilidade de novas fontes de financiamento para a compra da companhia.

Eframovich não desistiu, e apareceram outros candidatos, pelo menos mais dois. O Económico revelou ontem que Pais do Amaral está a estudar o tema, o jornal Público revelou o interesse de um investidor norte-americano, Frank Lorenzo. São dois candidatos com um perfil financeiro, não são parceiros estratégicos e, por isso, terão mais dificuldade em aproximarem-se das exigências do Governo do que o empresário 'europeu' da Avianca. E será, talvez, por esta razão que ainda não estarão criadas as condições competitivas de que fala o secretário de Estado das Infraestruturas, Sérgio Monteiro.

Afinal, o que falta? O Governo nunca terá a certeza das intenções finais de Pais do Amaral ou de outro qualquer investidor financeiro. Porque o processo não está aberto, porque as contas de 2013 ainda não são conhecidas sequer, porque não são conhecidas as condições de venda, a percentagem do capital, e tantos outros grandes 'detalhes'. O anterior processo de privatização serviu para ficar com um trabalho de casa feito, mas a decisão política é essencial.

É por isso que Pedro Passos Coelho vai ter de assumir riscos se quiser, mesmo vender a TAP, e assumir o maior de todos, isto é, falhar outra vez a mesma operação, por ausência do ambiente competitivo que tanto exige. Para o País, há mais de um ano, como agora, é mais importante uma companhia aérea forte com base em Lisboa do que uma TAP de capital nacional.

 

PS: François Hollande ocupa as manchetes dos jornais franceses por alegadas traições na sua vida privada, mas António José Seguro será hoje, provavelmente, um dos mais desiludidos com as traições políticas do Presidente francês. De referência da Esquerda europeia para combater Angela Merkel e os planos de austeridade, passou a desilusão. Hollande tentou um caminho, que falhou, e mudou de ideias. Agora, é preciso cortar nos impostos sobre as empresas e na despesa pública, para manter o Estado social. Qual é, afinal, a diferença em relação à estratégia do Governo português?

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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